— Não é nada. — Bianca balançou a cabeça, mas o riso nos olhos dela só se aprofundou: — Só estou achando que o nosso Senhor Marcelo parece estar... Hum, um pouco infeliz?
Marcelo baixou os cílios e deu uma tosse leve para encobrir o fato. A sua voz diminuiu e murmurou: — Não.
— Tem certeza de que não? — Bianca inclinou a cabeça e insistiu de propósito.
— Tenho.
O coração de Bianca derreteu por inteiro, e ela o achou muito fofo por estar assim.
Ela se contorceu e pegou em suas mãos, e as pontas de seus dedos formigaram suavemente o interior das mãos dele.
— É por causa do Davi? Eu gosto muito dele, mas... — Ela abaixou sua voz: — De quem eu mais gosto ainda é do nosso Senhor Marcelo.
Marcelo levantou seu olhar subitamente para encará-la.
Bianca recebeu seu olhar. Seus olhos estavam limpos e desimpedidos, acompanhados de uma convicção branda e inabalável.
— Embora haja muitas coisas das quais não me lembre ao certo, aquele sentimento não pode estar errado. — Ela falou suavemente.
— Ao ver você, o meu coração fica sereno e em paz. E quero depender de você, me aproximar, inconscientemente.
— E quando eu te vejo triste... Bem aqui, — ela apontou para a direção de seu peito — fico me sentindo triste. Eu quero te fazer sorrir.
— Então não sinta ciúmes do Davi, ele é apenas um bebê. — Ela resumiu em tom alegre.
Marcelo se abaixou, e sua testa tocou ligeiramente a dela. Os narizes de ambos se esbarraram, enquanto a respiração se intercalava.
— Hm.
— Quem eu mais amo, também é você.
— Para sempre e sempre.
O clima ardente ainda não havia sido dissipado antes de soarem novas batidas na porta.
Bianca olhou para a porta sentindo-se um tanto impotente. Hoje estava sendo um dia e tanto.
Marcelo franziu o cenho de leve, levantou-se e tentou se arrumar um pouco. Virou-se em direção à porta e disse: — Entre.
A porta foi empurrada.
A pessoa que chegou não entrou de vez; em vez disso, parou em frente à porta com os olhos explorando o cômodo.
Ao olhar para o rosto da pessoa, Bianca sentiu seu corpo estremecer, seguido de muita hesitação no coração.
Esse não é... O Renato?
Ele já não veio de manhã? Por que voltou?
Não, não, não.
Parecia um pouco diferente.
O homem na entrada usava um sobretudo bem ajustado de tecido firme, e dentro estava um suéter de caxemira de gola V de tom semelhante, deixando o colarinho plano de sua camisa sobressair junto à gravata meticulosamente amarrada.

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