— E você lembra das coisas de quando o Davi morou com você e com o titio?
Bianca assentiu suavemente: — Não consigo me lembrar muito bem, só de alguns pedaços. Me desculpe, Davi.
Aquelas memórias felizes... Como ela podia ter esquecido...
Davi fez beicinho, e seus olhos logo se encheram de lágrimas, mas ele se conteve e não deixou nenhuma cair. Apenas baixou a cabeça, suas pequenas mãos puxando inconscientemente a ponta do pijama hospitalar de Bianca.
Ver que ele estava tão triste, mas tentando ao máximo não chorar, partia o coração de qualquer um.
Bianca sentiu um aperto no coração e estava prestes a consolá-lo novamente.
Davi levantou a cabeça abruptamente, secando os olhos de qualquer jeito com a manga. Em seguida, fez algo que surpreendeu a todos.
Ele se inclinou para frente, fez um bico com a boca e deu um beijo forte e sonoro na bochecha dela.
Então, esticou seus bracinhos, envolvendo frouxamente o pescoço de Bianca. Encostou sua cabecinha no ombro dela e, com uma voz infantil e extremamente séria, disse:
— Não faz mal. Não faz mal se você não conseguir lembrar.
— O Davi vai passar a força dele pra você, aí você vai lembrar rapidinho.
— E mesmo... mesmo que você nunca lembre, o Davi vai sempre, sempre gostar de você, brincar com você e fazer desenhos pra você!
— Não fica triste. O beijinho do Davi faz a tristeza ir embora.
Depois de dizer isso, ele encostou seu rosto no dela novamente, como se estivesse transferindo força.
Bianca estendeu a mão, abraçou suavemente aquele pequeno e quente corpo nos braços, e enterrou o rosto no gorro de Davi.
— Uhum, não estou triste. — A voz dela estava embargada. — Obrigada, Davi. Recebi a sua força.
Talita e Rodrigo, que estavam aos pés da cama e assistiam à cena, sentiram-se comovidos. Desde quando o pequeno Davi havia se tornado tão sensato?

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