Naquela tarde, Bianca queria sair da cama para ir ao banheiro. Apesar da médica ter dito que ela já podia se mexer devagar, ela precisava de alguém para ajudar a andar, para não ficar tonta e cair.
Patrícia se levantou na mesma hora: — A mãe te leva.
Gabriel também levantou junto: — Deixa que eu vou, tenho mais força.
Marcelo não falou nada. Já estava ao lado da cama, com a mão esticada, pronto para ajudar Bianca.
Três pares de mãos se estenderam para Bianca simultaneamente, cheias de preocupação.
Bianca olhou para aquela cena e travou. Em seguida, deu uma risada de quem não sabe o que fazer.
— Mãe, pai, Marcelo... — Ela falou. A voz era gentil, mas firme. — Vocês... não precisam ficar todos tão tensos.
Ela observou a mesma expressão de preocupação e insistência no rosto dos três. Sentiu o coração aquecido, mas achou um pouco engraçado. Isso era o que as pessoas chamavam de um problema de sorte?
— Além disso, a médica disse que eu preciso me movimentar aos poucos. Basta ter alguém por perto, não precisa de uma comitiva.
Ela tentou aliviar o clima falando num tom leve: — Vejam só, meus braços e pernas estão inteiros. A cabeça não está lá essas coisas, mas ainda dou conta de andar.
Falando isso, ela se apoiou na grade da cama e foi virando o corpo devagar, querendo sentar sozinha.
Marcelo avançou de imediato, segurando o braço e as costas dela com firmeza. A força estava na medida certa, oferecendo suporte sem pesar muito.
Diante disso, Patrícia e Gabriel recolheram as mãos, mas os olhos continuaram focados.
— Vamos fazer assim. — Bianca disse olhando para os três, já acomodada sentada, sugerindo um meio-termo.
— Vocês se revezam para ficar comigo, não precisam ficar o dia todo aqui. Mãe, pai, vocês não descansaram direito nesses dias. Voltem para o hotel e tenham uma boa noite de sono. E você também, Marcelo. A empresa com certeza tem muita coisa para resolver. Não precisa ficar grudado em mim o dia todo, eu estou bem.

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