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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 404

Ponto de vista de Freya

Eu congelei.

Silas estava parado bem na minha frente — nada a ver com o Alfa frio e intocável que dominou o baile mais cedo naquela noite. O homem diante de mim agora era cru, conflituoso, e queimava com uma raiva que ele tentava — e falhava — em controlar.

Seus olhos em forma de raposa, normalmente indecifráveis, estavam ardendo para mim com algo feroz, ferido e quase descontrolado.

-Diga,- ele exigiu, a voz subindo de tom, afiada, perigosa. -Por que você continua aparecendo na minha frente?

Ele não estava apenas com raiva.

Ele estava com ciúmes.

Eu sentia isso emanando dele em ondas — selvagem, sem freios, e indomável de um jeito que só um Alfa à beira do limite pode ser.

Ele me tinha visto antes, rindo com outro homem. Muito perto. Muito à vontade.

Isso fez seu controle desabar.

-Eu… eu só estava acompanhando a Lana no baile,- consegui dizer, tentando firmar a voz.

Mas mesmo enquanto falava, uma verdade silenciosa mexia dentro de mim — uma que eu não queria encarar de perto.

Eu também tinha vindo porque…

Eu queria vê-lo.

Porque eu precisava saber o que restava dos meus sentimentos por Silas, o Alfa que um dia destruiu minha confiança tão profundamente que eu ainda não tinha certeza se conseguiria reconstruí-la.

Será que eu realmente podia confiar nele de novo?

E ele… quanto sentimento ainda tinha por mim?

-Só acompanhando a Lana?- Silas soltou uma risada amarga, sem humor.

Claro.

Ele achava que estava imaginando coisas. Que tinha sido tolo o bastante para criar esperança.

Meu coração disparou quando notei as bandagens apertadas em volta da mão direita dele — algo que eu não tinha visto antes no baile.

-O que aconteceu com sua mão?- eu perguntei, dando um passo à frente contra minha vontade. -Silas — quando você se machucou? Está muito grave?

Sob a luz forte do lounge, o vermelho tênue que vazava pela gaze parecia muito pior do que eu esperava.

Eu levantei cuidadosamente a mão machucada dele, meus dedos roçando as bordas da bandagem. -Silas… isso parece sério.

A mandíbula dele se apertou.

-Eu te disse,- ele falou, a voz baixa e frustrada, -se você não vai ficar ao meu lado, então pare de se importar comigo. Pare de sentir pena de mim.

Porque se importar dava esperança a ele.

E esperança… fazia a queda no desespero ser ainda mais profunda.

-Silas, eu—

Levantei a cabeça, mas antes que eu pudesse terminar, a mão esquerda dele subiu rápido, segurando meu queixo.

A boca dele caiu sobre a minha.

O beijo foi duro, desesperado, quase punitivo — como se ele estivesse morrendo de fome por aquilo, por mim, há tempo demais. Como se quisesse devorar cada pedaço de mim que já foi obrigado a deixar escapar.

Por um instante, eu congelei.

Minhas mãos empurraram instintivamente o peito dele.

Eu podia quebrar o beijo.

Eu podia acabar com aquilo — facilmente.

Mas no momento em que senti o desespero dele, algo dentro de mim se torceu dolorosamente.

Ele não estava me beijando por dominação.

Ele estava me beijando por coração partido.

As emoções dele — ciúmes, raiva, desejo, desespero — inundavam o espaço sem laços entre nós, cruas e avassaladoras.

Minha resistência vacilou.

Devagar, quase sem forças, meus braços subiram ao redor do pescoço dele.

Me aproximei mais.

Rebati o beijo.

O corpo inteiro dele estremeceu, como se fosse chocado pela minha resposta.

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