Ponto de vista de Freya
Eu congelei.
Silas estava parado bem na minha frente — nada a ver com o Alfa frio e intocável que dominou o baile mais cedo naquela noite. O homem diante de mim agora era cru, conflituoso, e queimava com uma raiva que ele tentava — e falhava — em controlar.
Seus olhos em forma de raposa, normalmente indecifráveis, estavam ardendo para mim com algo feroz, ferido e quase descontrolado.
-Diga,- ele exigiu, a voz subindo de tom, afiada, perigosa. -Por que você continua aparecendo na minha frente?
Ele não estava apenas com raiva.
Ele estava com ciúmes.
Eu sentia isso emanando dele em ondas — selvagem, sem freios, e indomável de um jeito que só um Alfa à beira do limite pode ser.
Ele me tinha visto antes, rindo com outro homem. Muito perto. Muito à vontade.
Isso fez seu controle desabar.
-Eu… eu só estava acompanhando a Lana no baile,- consegui dizer, tentando firmar a voz.
Mas mesmo enquanto falava, uma verdade silenciosa mexia dentro de mim — uma que eu não queria encarar de perto.
Eu também tinha vindo porque…
Eu queria vê-lo.
Porque eu precisava saber o que restava dos meus sentimentos por Silas, o Alfa que um dia destruiu minha confiança tão profundamente que eu ainda não tinha certeza se conseguiria reconstruí-la.
Será que eu realmente podia confiar nele de novo?
E ele… quanto sentimento ainda tinha por mim?
-Só acompanhando a Lana?- Silas soltou uma risada amarga, sem humor.
Claro.
Ele achava que estava imaginando coisas. Que tinha sido tolo o bastante para criar esperança.
Meu coração disparou quando notei as bandagens apertadas em volta da mão direita dele — algo que eu não tinha visto antes no baile.
-O que aconteceu com sua mão?- eu perguntei, dando um passo à frente contra minha vontade. -Silas — quando você se machucou? Está muito grave?
Sob a luz forte do lounge, o vermelho tênue que vazava pela gaze parecia muito pior do que eu esperava.
Eu levantei cuidadosamente a mão machucada dele, meus dedos roçando as bordas da bandagem. -Silas… isso parece sério.
A mandíbula dele se apertou.
-Eu te disse,- ele falou, a voz baixa e frustrada, -se você não vai ficar ao meu lado, então pare de se importar comigo. Pare de sentir pena de mim.
Porque se importar dava esperança a ele.
E esperança… fazia a queda no desespero ser ainda mais profunda.
-Silas, eu—
Levantei a cabeça, mas antes que eu pudesse terminar, a mão esquerda dele subiu rápido, segurando meu queixo.
A boca dele caiu sobre a minha.
O beijo foi duro, desesperado, quase punitivo — como se ele estivesse morrendo de fome por aquilo, por mim, há tempo demais. Como se quisesse devorar cada pedaço de mim que já foi obrigado a deixar escapar.
Por um instante, eu congelei.
Minhas mãos empurraram instintivamente o peito dele.
Eu podia quebrar o beijo.
Eu podia acabar com aquilo — facilmente.
Mas no momento em que senti o desespero dele, algo dentro de mim se torceu dolorosamente.
Ele não estava me beijando por dominação.
Ele estava me beijando por coração partido.
As emoções dele — ciúmes, raiva, desejo, desespero — inundavam o espaço sem laços entre nós, cruas e avassaladoras.
Minha resistência vacilou.
Devagar, quase sem forças, meus braços subiram ao redor do pescoço dele.
Me aproximei mais.
Rebati o beijo.
O corpo inteiro dele estremeceu, como se fosse chocado pela minha resposta.

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