Ponto de Vista de Terceira Pessoa
Victor não deveria ter olhado para Lana daquele jeito.
Não com aquela devoção silenciosa e ardente nos olhos — uma devoção que tornava impossível acreditar que, um ano depois, ele a deixaria ir de livre e espontânea vontade. E certamente não na frente de uma sala cheia de elites da matilha, proferindo palavras que flertavam entre uma promessa e uma ameaça.
Do outro lado do salão lotado do Domo de Convenções Skyspire, Freya foi abruptamente tirada de seus pensamentos quando a voz de um homem cortou a música ambiente.
-Senhorita Thorne. Quanto tempo.
Freya se virou, com uma expressão educada, porém distante, e viu Smith se aproximando com um copo na mão. Ela o reconheceu imediatamente — o chefe regional de um dos maiores conglomerados transnacionais de tecnologia. Quando trabalhava sob Caelum Grafton na SilverTech Forgeworks, havia negociado várias propostas de tecnologia de drones com ele.
-Senhor Smith,- ela reconheceu. -Faz tempo mesmo.
Smith ofereceu um sorriso desarmante. -Ouvi dizer que você saiu da SilverTech. Tenho esperado para trazê-la para minha equipe. Tem interesse em se juntar a nós?
-Desculpe,- respondeu Freya, -mas já entrei para a SkyVex Armaments.
-Freya é nossa chefe de P&D avançado,- Lana acrescentou rapidamente, entrando na conversa com um sorriso diplomático. -Se houver uma chance no futuro, espero que a SkyVex e sua empresa possam colaborar.
O olhar de Smith demorou em Freya. Ele não se preocupou em esconder a forma como a avaliava — sua postura, sua confiança, sua mente. -Senhorita Thorne, tem certeza? Você teria oportunidades maiores comigo.
-Agradeço a oferta,- respondeu Freya. -Mas acredito na SkyVex. Meu objetivo é construir algo poderoso junto com minha equipe... e com meus amigos.
-Uma pena,- disse Smith, com leveza. -Mas talvez ainda encontremos uma forma de trabalhar juntos. Na verdade — podemos conversar um pouco? Ainda estou muito interessado no projeto de combate aéreo não tripulado que você me apresentou.
-Claro.
Enquanto os dois começavam a discutir especificações e designs, um par de olhos estreitos os observava do outro lado do salão.
-Ela está bem ali,- murmurou Vaughn, cutucando a figura ao seu lado. -E você finge que não a vê?
Silas não respondeu.
Ele estava imóvel como uma estátua de ferro — expressão distante, postura fria — mas seus olhos o traíam. Eles se voltavam para Freya de novo. E de novo. E de novo.
Vaughn bufou. -Você não é nada sutil, irmão. O homem falando com Freya? É o Smith. Um sujeito notoriamente frio. Mas veja — ele está até caloroso com ela. Acha que está interessado?
A mandíbula de Silas se apertou.
Mulheres como Freya — quietas, resistentes na superfície — se tornavam cegantes quanto mais se olhava. A força delas não era barulhenta; envolvia você antes que percebesse que havia caído. Era inevitável que outros homens a notassem. Que fossem atraídos por ela.
Assim como ele já fora.
Assim como Kade Blackridge fora.
E agora... Smith.
Silas escolhera distância. Escolhera sair da órbita dela. Portanto, ela tinha todo o direito de escolher outra pessoa.
Isso era lógico.
Mas o lobo dentro dele não ligava para lógica.
Um calor perigoso acendeu em seu peito, algo selvagem e ciumento, crescendo descontrolado como fogo em mato seco. Seu controle — geralmente impecável — se desgastava centímetro a centímetro.
Ele viu Smith se inclinar para mais perto de Freya.
Ele viu os dois erguerem seus copos.
Ele viu o homem inclinar a cabeça, muito perto do pescoço dela, muito perto do pulso suave onde um vínculo de Alfa poderia ter repousado —
CRACK.
O copo na mão de Silas se estilhaçou. Cacos cortaram sua palma, sangue escorrendo entre os dedos.

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