Ponto de Vista em Terceira Pessoa
Jenny congelou por um instante, seus olhos âmbar se estreitaram enquanto ela sussurrava com veneno para Freya. -Freya, ouvi falar do seu pequeno... incidente com meu tio. Você ainda teve a ousadia de arrancar o colar que ele usa há anos. Não pense que pode simplesmente desfilar na frente dele, colocando Parker numa encruzilhada.
O tom dela era afiado, venenoso, mas por baixo havia um tremor de medo. Jenny sabia que, se Everett percebesse o colar de rubis no pescoço de Freya, seus planos cuidadosamente arquitetados desmoronariam num instante. Ela não podia permitir que isso acontecesse.
Os lábios de Freya se curvaram levemente com o comentário, embora seu olhar permanecesse calmo, firme. Ela não esperava que Jenny soubesse do incidente passado. Ainda assim, compreendia muito bem o cálculo de Jenny: tensão, manipulação, a necessidade de manter as aparências diante do Alfa.
Mas Freya não tinha intenção de colocar Parker numa situação em que ele fosse dividido entre a lealdade à família e o vínculo com ela. -Parker,- disse suavemente, voltando os olhos para ele, -eu entro primeiro.
Parker assentiu, o lobo dentro dele tenso, mas contido. -Certo. Vou te encontrar lá dentro em breve.
O olhar âmbar de Freya se voltou para Lana, que caminhava ao seu lado, a presença da Beta uma garantia constante. -Mm,- murmurou Freya, e juntas avançaram para o salão de festas do Grand Meridian Plaza. As pesadas portas se abriram, e o aroma de carvalho finamente polido e um leve musk lupino dos membros da elite reunida as acolheu.
Parker seguiu atrás, dirigindo-se diretamente a Everett. A presença do Alfa era imediata, imponente—cada passo ressoava com a autoridade inabalável de um chefe de matilha. Seus olhos, afiados e prateados sob a luz do lustre do salão, pousaram em Jenny com um olhar de desprezo. -Ela também está aqui?- A voz de Everett era baixa, controlada, mas como uma armadilha de aço.
-Ela... deveria estar,- respondeu Parker com calma, o tom medido. -Já que Silas Whitmor retirou suas objeções, é justo que ela compareça.
Os lábios de Everett se apertaram numa linha fina, o canto do olho tremendo. -Você a trouxe por causa do doador no hospital? Hmph. Uma fraqueza. Qualquer um com uma alavanca pode te manipular. E essa alavanca... pode custar mais do que você imagina.
-Eu só quero estar em paz com minha consciência,- disse Parker suavemente, a voz com a ponta lupina calma, mas inflexível.
A testa de Everett se franziu levemente, seus olhos varreram Jenny. -Hoje à noite, não se desonre—nem a si mesma, nem a esta família. Não diga palavras que não deve, nem faça ações que tragam vergonha ao nome Williams. Um passo em falso, e eu a expulsarei desta família sem hesitar.
O rosto de Jenny empalideceu, embora mantivesse a compostura. -Só quero acompanhar Parker. Vou me comportar bem hoje à noite,- disse rapidamente, inclinando a cabeça em deferência.
Everett finalmente se voltou para o salão, cada passo irradiando a confiança de um Alfa lobo. Jenny seguiu Parker, mas por dentro rangia os dentes. A Família Williams permanecia distante, régia, tratando as famílias secundárias como peças de xadrez—convocadas ou dispensadas à vontade. E a obsessão de Everett em encontrar sua irmã perdida? Essa obsessão o cegava para a verdade.

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