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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 400

Ponto de Vista em Terceira Pessoa

Os dedos longos e esguios de Silas se flexionavam, como se a qualquer momento pudessem apertar a garganta de um homem com a força de uma garra de lobo. Ainda assim, a expressão de Vaughn era calma, quase arrogante, seus olhos cintilando com um desafio. -Silas,- disse ele de leve, -por gerações, meus Graftons têm ajudado os Whitmors. Para nós, a vida do sangue Whitmor é sagrada. Então, se for para escolher entre ‘você morrer de insônia e colapso mental’ e ‘tocar na Freya’, minha escolha é clara – eu escolho ‘tocar na Freya’.

Os olhos de Silas escureceram, afiados como os de um predador. -Se você ousar pôr a mão nela, Vaughn, mesmo tendo crescido comigo, juro que não vou poupar você.

Vaughn inclinou a cabeça, um leve sorriso se formando nos lábios. -Então por que não fazer o que qualquer Whitmor faria? Usar todos os meios que puder, manipulá-la, dobrá-la ao seu lado? Os Whitmors nunca ficam sem métodos quando se trata daqueles que amam.

O olhar de Silas endureceu, o lobo interior despertando. -Então só porque os Whitmors podem ser implacáveis para proteger o que amam, eu tenho que abandonar tudo e me tornar implacável também?

Vaughn congelou por um instante, sentindo a tempestade se formar em Silas. O Alfa soltou o aperto, seus olhos se voltando para o céu noturno onde a lua cheia e prateada pairava sobre a cidade de Deepmoor. As estrelas piscavam timidamente, pálidas na névoa das luzes da cidade. -Sim,- Silas disse suavemente, o lobo dentro dele andando inquieto, -eu poderia ser implacável. Poderia usar inúmeros métodos para garantir que Freya nunca se afastasse de mim nem por um momento da vida dela. Mas se eu fizesse isso... tudo o que ela sentiria seria ódio. E eu – eu não tenho coragem para encarar o ódio dela.

O sorriso de Vaughn vacilou, uma surpresa genuína cruzando seu rosto. Pela primeira vez, ele ouviu Silas Whitmor pronunciar quatro palavras simples que carregavam mais peso do que qualquer ordem: Eu não tenho coragem. E ainda assim, a verdade brilhava clara: Freya Thorne. Seu elo com a vida, sua âncora contra a loucura das noites intermináveis.

-Quando estávamos juntos,- Silas continuou, voz baixa e carregada pelo peso da memória longa, -eu queria ser um homem bom. Mesmo que fôssemos separados, eu queria que ela se lembrasse de mim como um homem bom. Então, não a toque. Se o fizer, não posso prometer o que posso fazer... as coisas que meu lobo pode fazer, o homem pode fazer. E...- Ele fez uma pausa, os dedos roçando uma pulseira de contas no pulso, desgastada pelo toque constante. Ela fora dela. Freya a deixara para ele. Em cada noite sem sono, em cada sombra solitária, aquela pulseira lhe lembrava da presença dela, o mantinha longe de deslizar totalmente para o abismo da mente. Talvez fosse por isso que ele permanecia são – ou tão são quanto alguém como ele poderia ser.

-Você conhece o gosto de ganhar e perder? De o céu desabar sobre sua cabeça?- A voz de Silas agora era um rosnado, lupino e grave. -Eu conheço. Vivi naquele inferno. E se for arrancado dele de novo, apenas para ser lançado ainda mais forte... eu posso realmente me tornar um monstro.

Vaughn permaneceu em silêncio, impressionado. Freya Thorne – o que ela era para Silas? Salvadora? Maldição? Dádiva dos deuses? Se ela se fosse para sempre, que fera ele se tornaria? Só de pensar nisso, o sangue de Vaughn gelou.

Chegara a celebração do aniversário do Grupo Whitmor, um evento luminoso que atraía as matilhas mais poderosas da cidade, dinastias corporativas e a elite nascida de lobos. Freya e Lana desceram da limusine preta forjada para lobos, entrando no ar fresco da noite. Lana vestia seda carmesim que cintilava sob as lanternas da Grand Meridian Plaza. O vestido champanhe de Freya, suave e discreto, fluía ao redor dela como a luz da lua sobre um rio tranquilo. Mas o colar de rubis em seu pescoço, brilhando como fogo aprisionado, fazia todos os olhares se voltarem para ela. Era um rugido sutil em meio à delicadeza – uma marca do lobo e do vínculo que não podia ser quebrado.

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