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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 383

Ponto de vista em terceira pessoa

Everett permaneceu em silêncio por um longo instante, com o rosto talhado em pedra. Quando finalmente falou, sua voz estava calma — calma demais, de um jeito que gelou o ambiente mais do que qualquer grito poderia ter feito.

—Então o que você quer dizer — disse ele, deixando as contas do rosário deslizarem lentamente entre os dedos — é que, por causa do seu erro, você espera que a família Williams enfrente a coalizão Whitmore e abandone nossa participação nos mercados da Capital?

O fôlego de Jenny falhou.

Claro que ela sabia que não valia tanto — nem em poder, nem em influência, e muito menos em valor político. Mas ouvir Everett dizer isso de forma tão direta ainda doía como um chicote.

—Aquele Silas está nos atacando de propósito! —exclamou Jenny—. Se não, por que faria tanto alarde? Eu só amaldiçoei um pouco os pais da Freya. Como isso justifica uma retaliação desse tamanho?

Everett soltou um som frio e sem humor, que não chegou a ser uma risada.

—Já pedi ao Víctor que verificasse —disse ele—. Os pais da Freya foram mártires honrados de Ashbourne. E você insultou os mártires desta terra. Diga-me, Jenny — você planejava que toda a família Williams arcasse com as consequências por você?

Seu olhar se endureceu, afiado como o de um lobo, implacável.

—Você não precisa ficar aqui por mais tempo. Volte para C-Country.

Voltar para C-Country?

Jenny ficou paralisada.

Se voltasse agora, perderia tudo — sua posição, sua reputação, até mesmo seu lugar na família Williams. Uma vez expulsa, seria repudiada pelas altas esferas de C-Country. Nem mesmo seus próprios pais protegeriam uma filha que se tornara veneno político.

Sua voz tremeu.

—Tio Everett, eu…

—Vá. —Os olhos dele se fecharam, sinalizando que a conversa havia terminado. O único som que restou na vasta suíte presidencial foi o lento girar das contas do rosário.

Mordendo o lábio com força, Jenny recuou de forma rígida, com Parker a seguindo.

Assim que as portas se fecharam, ela se virou para ele, com os olhos arregalados.

—Eu não posso ser expulsa! Eu não vou permitir! Você tem que fazer o Silas retirar o que disse. Aconteça o que acontecer, você tem que resolver isso por mim.

Parker a encarou com uma expressão que oscilava entre a incredulidade e o cansaço.

—E que poder você acha que eu tenho para fazer o Silas voltar atrás em alguma coisa?

Jenny cerrou os punhos.

—Silas está fazendo isso por causa da Freya. Você devia falar com ela — você é irmão dela, não é? Ela te escuta!

Parker soltou um suspiro curto e sem humor, que também não chegou a ser uma risada.

—Não era você quem insistia que eu não era irmão dela? Que eu era seu, em vez disso?

Jenny empalideceu imediatamente.

Ela havia dito isso. Muitas vezes.

Não porque se importasse com Parker — não. Queria mantê-lo bem preso dentro da família Williams. Enquanto ele tivesse influência ali, ela poderia se apoiar nele, manipulá-lo e, eventualmente — se seus planos dessem certo — ter um filho dele, usando sua descendência para conquistar ainda mais poder.

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