Entrar Via

O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 382

Ponto de vista em terceira pessoa

Os lábios de Parker se comprimiram numa linha fina e pálida, sem sangue.

O decreto de Silas pairava no ar como uma ordem de execução: sereno, absoluto e impossível de desafiar. A voz do Alfa Blindado ainda ecoava em sua mente:

— A menos que a matilha Williams a elimine de seu linaje, a Coalizão cortará todo vínculo.

Para os Williams, que há muito buscavam se expandir nos territórios da Capital e assegurar o comércio com a Coalizão Blindada de Whitmor, aquela ameaça não era nada menos que uma sentença de aniquilação.

Antes, Parker não se importaria que expulsassem Jenny — que ela se afogasse nas consequências de sua arrogância. Mas as coisas haviam mudado. Ele precisava que ela permanecesse viva.

Só Jenny pode salvar a vida de Lina.

Ele se virou para Freya. Sua expressão estava calma, calma demais — aqueles olhos dourado-avelã firmes como os de um lobo diante da tempestade.

— Senhorita Thorne — começou Parker, num tom quase suplicante. — Jenny só disse algumas poucas palavras. Não quis… certamente um castigo assim é excessivo. Se intercedesse junto a Silas Whitmor por ela, a família Williams —

A voz de Freya cortou a tentativa com a precisão de uma lâmina sendo desembainhada, fria como aço.

— Se não quiser que eu te bata de novo, Parker, cale a boca.

O silêncio que se seguiu vibrou de tensão.

Ela deu um passo à frente, ergueu o olhar até o rosto dele, e sua voz desceu a um sussurro — firme demais para não ser verdadeira.

— Tomara que um dia você não se lembre de quem realmente é… e perceba o quanto se arrependerá de ter dito essas palavras.

Seu olhar se cravou no dele.

— Porque o homem que eu conhecia — aquele que você costumava ser — preferiria morrer a ficar de braços cruzados enquanto alguém insulta nossos pais.

Por um instante, Parker não conseguiu respirar.

Algo antigo, enterrado nas profundezas de seu sangue, se agitou — algo feroz, algo orgulhoso. Pulsava atrás de suas costelas, ansiando por se libertar.

E então, como gelo se partindo sobre a pedra, aquele sentimento se dissipou, deixando apenas um vazio frio.

Ele se virou, com a mandíbula tensa, como se temesse se lembrar de algo.

———

Os agentes chegaram pouco depois, seus veículos negros brilhando sob as luzes da Torre Ironhold.

Freya foi com eles sem resistência. Não fazia sentido se opor; pela lei, ela havia dado o primeiro golpe. Parker e Jenny a acompanharam até a delegacia local, ambos para prestar depoimento.

Dentro do escritório estéril e de luz baixa, Freya sentou-se diante de um oficial uniformizado, relatando sua versão do confronto. Estava calma — talvez acostumada demais ao conflito. Um leve cheiro de ferro e ozônio ainda se prendia à sua pele, restos de adrenalina.

No meio de seu depoimento, a porta se abriu.

Um homem alto, vestindo um terno cinza-carvão, entrou; seu distintivo brilhou brevemente sob as luzes.

— Sou Victor Ashford — anunciou com voz segura. — Represento a senhorita Freya Thorne como seu advogado.

Freya piscou, surpresa.

— Victor? O que você está fazendo aqui?

Só os honorários dele seriam suficientes para arruinar uma matilha pequena. Não havia como ela pagar.

— Lana me ligou — respondeu Victor com calma. — Disse que você estava em apuros.

Freya franziu levemente a testa.

— Você não precisava vir pessoalmente. Poderia ter enviado algum advogado do seu escritório.

— Ela pediu por mim. E eu não delego o que é importante para ela. — O tom não deixava espaço para discussão.

Freya inclinou a cabeça, observando-o.

— Eu não posso te pagar, Victor.

Ele esboçou um leve sorriso, embora houvesse algo indecifrável em seus olhos.

— Considere um favor. Você é amiga dela.

Freya cruzou os braços.

— Você e Lana têm uma relação contratual. Você não deve tanto a ela. Por que ir tão longe?

A expressão de Victor se endureceu.

— Ela te contou?

— Sim — respondeu Freya com simplicidade. — Não sei o que realmente existe entre vocês dois, mas não a machuque. E, quando terminar o seu ano — se ela quiser ir embora — deixe que vá.

Por um instante, os olhos de Victor brilharam com algo mais sombrio. Seus lábios se curvaram numa sonrisa sem humor.

— Freya, você assume que ela será a ferida. Mas talvez — baixou a voz para um murmúrio — seja eu.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O Despertar da Luna Guerreira