POV de Terceira Pessoa
Lana não ousava se mexer.
Victor estava perto o suficiente para que ela pudesse ouvir o leve som de sua respiração - lenta, áspera, controlada apenas por um fio. Foi um longo momento antes que ele finalmente a soltasse, colocando-a de volta em pé.
-Lana,- ele murmurou, com a voz baixa, quase rouca, -você realmente não gosta mais de mim?
Ela congelou, sua expressão se endurecendo ao olhar para longe. -Alguém como você, Victor - o herdeiro favorito do Alfa, o advogado dourado da Capital - como eu poderia me dar ao luxo de gostar de você?
Ele franziu a testa. -O que isso quer dizer?
Lana soltou uma risada curta e amarga. -Significa que homens como você têm sido cercados por mulheres desde que eram velhos o suficiente para mudar. Eu era apenas aquela que mais te perseguia naquela época. Talvez você achasse que eu era divertida - algo conveniente, alguém para passar o tempo. Um escudo para afastar todos os outros.- Seus lábios se curvaram. -Assim como agora.
Victor se endureceu.
Ela não estava totalmente errada. Quando eles começaram a namorar, esse tinha sido o caso.
Mas agora - agora não era.
-Neste contrato de um ano que fizemos,- ela disse com firmeza, sua voz desprovida de emoção, -farei tudo o que você pediu. Serei a namorada obediente e conveniente que você quer. Mas é só isso. Não espero - ou quero - mais nada. E a partir de agora, espero... que essas coisas não aconteçam novamente.
Seus olhos escureceram. -Essas coisas?
Ela hesitou, depois pressionou os lábios juntos. -Dormir juntos. Eu não quero mais fazer isso.
Seu tom era firme, mas seu pulso a traiu. Mesmo assim, ela forçou as palavras para fora. -Uma ou duas vezes é uma coisa, mas não pretendo continuar. Não importa o quão bom você pareça, ou o quão fácil seja querer você - não vale a pena me perder em algo tão passageiro.
-Você não gosta de estar comigo?- Sua voz era calma, mas pesada, carregada de raiva.
-Coisas físicas devem acontecer entre pessoas que realmente se amam,- Lana disse. -Estamos apenas em um contrato, Victor. Você não me ama, e eu não te amo.
Ele a estudou em silêncio, então perguntou: -E se eu dissesse que estou disposto a te amar? Você me amaria de volta?
Lana o encarou como se ele tivesse contado uma piada cruel. Sua risada saiu afiada, sem humor. -Victor, não faça isso. Se você fosse capaz de me amar, teria feito anos atrás - quando ainda estávamos juntos. Não agora, depois que tudo acabou.
Seu sorriso era amargo. -Além disso, eu já te disse - não posso me dar ao luxo de gostar de um homem como você, muito menos te amar. Então, por favor, pare de brincar.
A expressão de Victor se endureceu, o ar entre eles esfriando como gelo. Ele não esperava dizer aquelas palavras ele mesmo - oferecê-las tão cruamente - e não esperava que ela as cortasse sem hesitação.
Ele se lembrou, anos atrás, de como ela se agarrou ao seu braço, rindo para cima dele com aqueles olhos brilhantes e imprudentes. -Victor, eu sou sua namorada. Você não pode me amar, só um pouco?

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