Beatriz Andrade já conseguia sair da cama e caminhar.
Embora as feridas ainda doessem levemente, seu ânimo estava muito melhor.
Guilherme Guimarães a tratava praticamente como se fosse uma boneca de porcelana frágil.
Não a deixava se mover aqui, não a deixava tocar em nada ali.
Até mesmo para beber água, ele insistia em levar o copo aos lábios dela.
— Eu consigo sozinha. — Beatriz afastou, sem jeito, o pedaço de maçã que Guilherme lhe oferecia.
— Minhas mãos não estão quebradas.
— Obedeça. — Guilherme, autoritário, colocou a maçã na boca dela.
— Abra a boca.
— Se você não ganhar meio quilo nestes dias, vou descontar do salário da Júlia.
Júlia, que estava limpando o andar de baixo, espirrou repentinamente.
Beatriz mastigou a maçã, achando graça.
— Sr. Guilherme, você não precisa ir para a empresa? O tio Samuel acabou de ser preso, a empresa deve estar uma bagunça, não?
— Deixe que fique uma bagunça. — Disse Guilherme, com indiferença.
— Se a empresa falir só porque me ausentei por três dias, então para que servem aqueles executivos que eu sustento?
— Além disso, o que poderia ser mais importante do que acompanhar minha esposa?
Esposa.
Essa palavra fez o coração de Beatriz falhar uma batida.
Embora já tivessem oficializado a união, ela ainda sentia que tudo aquilo parecia um sonho.
Antigamente, na família Monteiro, Heitor Monteiro nunca permitia que ela o chamasse de marido em público.
Ele sequer queria admitir publicamente que ela era sua esposa.
Já Guilherme parecia desejar pegar um megafone e anunciar para o mundo inteiro.
— Quem é sua esposa... — Murmurou Beatriz baixinho, com o rosto corado.
Guilherme aproximou-se dela, encostando a ponta do nariz no dela.
— Já assinamos os papéis, quer negar agora?
— Você não vai escapar nesta vida.
— Seja no céu ou na terra, mesmo que eu vire um fantasma, continuarei sendo seu marido.
Sua respiração batia no rosto dela, carregando um leve aroma de hortelã.
Beatriz olhou para aquele rosto bonito tão próximo.
Pensou que talvez aquele fosse o amor que ela esperou a vida toda.
Justo quando o clima entre os dois se tornava mais íntimo, a voz de Júlia veio do andar de baixo.
— Senhora? O que faz aqui?
Havia surpresa e um pouco de pânico naquela voz.
Guilherme franziu a testa.
Senhora?
— Ouvi dizer... que Beatriz se feriu gravemente.
— Mandei preparar uma sopa para repor as energias e o sangue, trouxe para ela provar.
Beatriz ficou atônita.
O sol nasceu no oeste?
Yasmin trazendo sopa para ela?
Aquilo era mais raro do que Marte colidir com a Terra.
— Mãe, isso é... — Guilherme também ficou surpreso, olhando com desconfiança para o recipiente térmico.
Será que tinha veneno?
Yasmin riu de raiva ao ver o olhar do filho.
— O quê? Tem medo que eu tenha envenenado?
— Eu sou esse tipo de pessoa?
Ela suspirou e caminhou até Beatriz.
Beatriz instintivamente recuou um pouco.
O movimento de Yasmin travou, e um traço de compaixão passou por seus olhos.
Que tipo de vida essa criança levou no passado?
— Beatriz. — A voz de Yasmin estava mais gentil do que nunca.
— Antigamente... foi erro meu. Eu fui superficial, dei ouvidos a fofocas de terceiros e tive preconceito contra você.

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