— Beatriz, não tenha medo, eu estou aqui.
Beatriz fechou os olhos e as lágrimas caíram pelo seu rosto, afundando no travesseiro.
— Eu não tenho medo de morrer.
Ela sussurrou suavemente, sua voz sendo tão fraca que o próprio vento poderia carregá-la para longe.
— Eu só... sinto pena da minha mãe.
Dois dias depois.
Vésper Sistemas.
Embora Guilherme fosse fortemente contra, Beatriz ainda insistiu em vir para a empresa.
Ela não queria ser inútil e muito menos, numa hora como essa, ser enjaulada em um quarto.
Quando Clarinda viu Beatriz, o canto de seus olhos ficou instantaneamente vermelho.
— Beatriz, por que você emagreceu tanto...
A Beatriz na frente dela usava um sobretudo bege bem largo, o qual não conseguia esconder totalmente a silhueta emagrecida.
Seu rosto estava pálido e os pulsos eram tão finos que pareciam poder se quebrar ao meio. Se Guilherme não estivesse segurando-a com cuidado por todo o caminho, Clarinda teria medo de que uma rajada de vento a derrubasse.
— Eu estou bem. — Beatriz sorriu relutantemente.
Guilherme imediatamente juntou as sobrancelhas, desenroscando a tampa da garrafa térmica com habilidade e levando-a aos lábios dela.
— O Lucas já chegou? — Beatriz deu um gole na água quente, e a sua voz soou fraca.
— Ele já chegou, está na sala de reuniões te esperando. — Clarinda abaixou sua voz. — O Lucas... não parece muito bem.
Desde o momento em que Beatriz retornou da Suíça, Guilherme começou a usar as suas conexões para arranjar o papel de vice-presidente da Vésper Sistemas para Clarinda.
Isso era o que Clarinda queria mais do que tudo.
Um ganha-ganha para ela: podia receber um ótimo salário além de ajudar Beatriz.
Empurrando a porta para abrir.
Lucas estava sentado atordoado diante da janela panorâmica.
Ouvindo os movimentos da porta, virou-se para ver Beatriz ser apoiada por Guilherme. Um traço de pânico e culpa passou pelos olhos dele.

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