Beatriz ficou surpresa.
Ela sempre foi chamada de gênia. Aos três anos já sabia ler, aos cinco já conseguia resolver equações e, aos quinze, foi admitida numa faculdade de ponta por um processo especial.
Ela sempre achou que isso era o resultado de seu esforço.
— Isso não é um talento natural. — A voz de Tia M carregava um suspiro de destino. — Isso é uma 'otimização'.
— Há trezentos anos, o Clã Aurora dominou uma 'tecnologia de otimização genética' especial. Essa tecnologia era capaz de aumentar consideravelmente a atividade do córtex cerebral, a memória e a capacidade lógica. A cada geração, o clã escolhe um 'herdeiro', implantando um marcador genético dominante neles.
— Sua avó, Aurora Chen, foi a herdeira da geração dela.
A mente de Beatriz parecia zumbir, como se estivesse escutando um conto de fadas.
— E... E a minha mãe...
— Há quarenta e nove anos. — O olhar de Tia M ficou distante e amargurado. — Havia um traidor no clã, que tentou vender essa tecnologia para uma corporação multinacional. A fim de proteger os dados primários, sua avó, Aurora, pegou a filha de dois anos — sua mãe, Verônica — e levou parte dos dados criptografados, fugindo para o Brasil.
— Depois disso, ela desapareceu sem deixar rastros.
— Nós as procuramos por quarenta e nove anos.
Tia M olhou para Beatriz, com os olhos cheios de piedade. — Eu não esperava que, quando a encontrasse novamente, a Verônica já estivesse... e até você já tivesse sido torturada dessa maneira.
Beatriz sentiu o seu corpo arrepiar.
Acontece que sua mãe não era uma garota de uma cidadezinha qualquer.
Acontece que todo o sofrimento que ela havia passado nesses anos vinha da inveja em relação àquele "cérebro genial".
— Esse gene... ele tem efeitos colaterais, certo?
Guilherme, que estava em silêncio até então, de repente abriu a boca, acertando em cheio.

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