Terceiro Hospital Municipal.
Felipe estava encostado na cabeceira, segurando agilmente uma maçã descascada com a mão direita e comentou: — Esta maçã é boa, bem doce.
O médico ao lado deu um sorriso forçado: — Com certeza, é de uma provisão especial. Velho Felipe, essa sua tática de se fazer de vítima misturada com a cartada da nostalgia foi genial. Vi aquele garoto, o Lucas, saindo aos prantos. Imagino que a garota vá amolecer o coração logo e voltar.
— Hmph, aquela garotinha é um peso morto que puxou àquela inútil da mãe. — Felipe cuspiu um pedaço da casca de maçã, com um brilho astuto nos olhos. — Contanto que ela volte, derramamos aquele seu remédio na garganta dela e, depois, quando os direitos de patente dela passarem para mim, eu vou vender tudo e a família Andrade poderá ressurgir das cinzas!
"Bang—!"
A porta do quarto foi escancarada com um chute nesse exato momento.
Felipe se assustou tanto que sua mão tremeu e metade da maçã caiu no cobertor.
Ele tentou instintivamente fingir que a boca estava torta, mas parou no meio do movimento ao ver que quem entrou correndo era Lucas.
Lucas estava parado na porta, completamente encharcado.
Em suas mãos, ele segurava o relatório impresso que Bruno havia providenciado.
Ele olhou para aquele pai ágil e de rosto corado, sem qualquer sinal de "hemiplegia", e sentiu um frio subir da sola dos pés até o topo da cabeça.
— Pai... — A voz de Lucas tremia. — A sua mão... está boa?
Felipe ficou surpreso por um momento, mas revirou os olhos e simplesmente parou de fingir.
— Já que você viu, não vou mais me dar ao trabalho de atuar. — Felipe recostou-se, com um olhar sombrio. — Isso mesmo, eu estava fingindo. As cartas também são falsas. E daí?

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