Embora fraco, seu olhar permanecia afiado como o de uma águia.
Ele usava uma máscara de oxigênio e, com a mão trêmula, apontou para Samuel.
— Ani... Animal...
As pernas de Samuel cederam e ele caiu sentado no chão.
— I... Irmão? Você acordou?
Como era possível?!
O médico disse claramente que a probabilidade de ele acordar era mínima!
Guilherme caminhou até a cama e segurou a mão do pai.
— Pai, o senhor ouviu tudo?
Firmino assentiu com dificuldade.
Duas linhas de lágrimas turvas escorreram pelos cantos de seus olhos.
Era a dor da traição pelo próprio irmão.
E também a culpa em relação ao filho e à nora.
O médico responsável sussurrou ao lado: — A vontade de viver do Sr. Firmino é muito forte. Ele ouviu a discussão lá fora, ficou agitado e forçou o despertar.
Firmino tremeu a mão, sinalizando para o advogado se aproximar.
O advogado apressou-se em pegar o gravador e os documentos.
Firmino tirou a máscara de oxigênio e, usando todas as suas forças, disse pausadamente, palavra por palavra:
— Eu... Firmino... faço meu testamento...
— Todas as ações... e o poder de decisão... do Grupo Guimarães...
— Serão entregues... integralmente... ao meu filho... Guilherme...
— Samuel... por usar produtos inferiores... tentar matar o irmão... e conspirar com inimigos externos...
— Será expulso... da família Guimarães...
— E entregue... à polícia...
Após dizer essas frases, Firmino pareceu ter esgotado todas as suas forças e começou a respirar com dificuldade, em grandes golfadas de ar.
Samuel desmoronou completamente.
— Irmão! Irmão, eu errei, fui tentado pelo diabo!
— Irmão, tenha piedade! Sou seu irmão de sangue!
Samuel rastejou até a cama, tentando agarrar a mão de Firmino, mas foi chutado para longe por Guilherme.
— Levem-no.
Guilherme ordenou friamente.
— Mãe, cuide do pai por enquanto. Beatriz ainda está me esperando em casa.
— Ela sofreu ferimentos graves e precisa de alguém.
Dito isso, Guilherme não ficou mais tempo; virou-se e saiu a passos largos.
Yasmin olhou para as costas dele, com o coração cheio de sentimentos mistos.
Ela pensou em Beatriz.
Naquela garota magra e pequena.
Na saída de emergência, diante das ameaças de Samuel, ela não recuou.
E ela mesma?
Além de ficar aqui rezando, o que ela fez?
Até mesmo a ironizou e zombou dela antes, achando que ela trazia mau agouro.
— Será que eu estava realmente errada?...
Yasmin murmurou para si mesma.
Olhando para o terço espalhado pelo chão, de repente sentiu uma certa ironia.
De que adianta rezar e pedir a Deus?
Se o coração humano está podre, nem Deus pode salvar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico