— Nestes dias, pensei muito.
— Se não fosse por você, o Velho Senhor poderia já ter perdido a vida.
— Se não fosse por você, Guilherme também poderia ter caído na armadilha daquele animal.
— Você é a benfeitora da família Guimarães e também uma boa menina.
Enquanto Yasmin falava, seus olhos ficaram vermelhos.
Ela estendeu a mão, querendo afagar a mão de Beatriz, mas receosa de tocar em seus ferimentos, deixou a mão suspensa no ar, um tanto constrangida.
Beatriz olhava para Yasmin, atordoada.
Ela nunca imaginou que um dia ouviria um pedido de desculpas de Yasmin.
Na família Andrade, por mais que ela fizesse o certo, sempre estava errada.
Na família Monteiro, dar a vida era considerado sua obrigação.
Nunca ninguém havia pedido desculpas por tê-la compreendido mal.
— Sogra... não, mãe. — Ao pronunciar esse termo, a voz de Beatriz soou um pouco estranha.
— A senhora está exagerando. Eu salvei o pai porque ele é um ancião da família e também porque... ele é o pai do Guilherme.
— Eu não queria ver o Guilherme triste.
Uma frase simples, mas que derrubou todas as defesas de Yasmin.
Que menina boa.
Depois de sofrer tantas injustiças, o que ela pensava era em não deixar Guilherme triste.
— Certo, certo. — Disse Yasmin repetidamente, enxugando as lágrimas furtivamente.
— A sopa ainda está quente, tome logo.
— De agora em diante, vou confiar os cuidados do Guilherme a você.
— Esse garoto é teimoso, só você consegue controlá-lo.
Era uma entrega de responsabilidade e também um reconhecimento.
Yasmin abriu o recipiente térmico, serviu pessoalmente uma tigela de sopa e entregou nas mãos de Beatriz.
A sopa tinha uma cor rica e um aroma delicioso.
Segurando a tigela, as lágrimas de Beatriz caíram de repente.
— Obrigada, mãe.
Ela abaixou a cabeça e tomou um gole da sopa.
Estava um pouco salgada.
Talvez as lágrimas de Yasmin tivessem caído dentro.
Mas aquela foi a melhor sopa que ela já tomara na vida.
Guilherme, parado ao lado observando a cena, não conseguiu conter um sorriso no canto da boca.
Ele se aproximou e abraçou os ombros de Beatriz.
— Mãe, pode ficar tranquila. Ela cuida muito bem de mim.
— Nesta vida, vou tratá-la como uma rainha.
Yasmin sorriu entre as lágrimas e lançou um olhar reprovador ao filho.
— Está bem, está bem, casou e esqueceu a mãe. Não vou ficar aqui de vela.
— O Velho Senhor ainda precisa de cuidados, vou voltar agora.
Yasmin pegou a bolsa, caminhou até a porta e parou.
Olhou para trás, para Beatriz.
— Quando seus ferimentos sararem, venha jantar em casa com o Guilherme.
— Está bem. — Beatriz assentiu com vigor.
Matheus Andrade, Miguel Andrade, Lucas Andrade... e aquele hipócrita do Felipe.
Já que eles gostavam tanto de "família".
Então ele os mandaria para uma "casa" de onde nunca mais sairiam.
— Beatriz.
— Hm?
— Quando você se recuperar, vamos fazer uma visita à família Andrade.
— Ouvi dizer que a família Andrade recentemente fez uma parceria com uma grande empresa estrangeira e vai dar um jantar de noivado.
— Já que é um jantar, como nós poderíamos faltar?
Beatriz levantou a cabeça e viu aquele sorriso malicioso familiar nos olhos de Guilherme.
— Tudo bem.
Ela sorriu.
Um sorriso radiante e audacioso.
— Eu faço tudo o que você disser, marido.
Esse "marido" fez os ossos de Guilherme amolecerem.
Ele se virou de repente, prendendo Beatriz sob seu corpo.
— Diga de novo.
— Não digo.
— Vai dizer ou não?
— Não vou dizer...
Na mansão, ouvia-se o som de risadas há muito tempo ausentes.

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