Yasmin abriu os olhos e olhou para Samuel.
Antes, ela achava que ele era um homem honesto, dedicado a ajudar o irmão mais velho.
Mas agora, parecia que sob aquela máscara de honestidade, escondia-se uma ambição de lobo.
— Cunhado, o que você quer dizer?
A voz de Yasmin estava um pouco rouca.
— O que quero dizer é que, pelo bem maior do Grupo Guimarães, não seria melhor eu assumir interinamente?
Samuel empurrou os documentos para frente de Yasmin.
— Esta é uma procuração temporária. Basta a cunhada assinar, e eu poderei ajudar o irmão a dividir o fardo de forma legítima.
— Quando Guilherme recuperar o juízo e se tornar mais sensato, eu devolvo para ele, sem problemas.
Falava muito bonito.
Devolver?
Provavelmente, até lá, o Grupo Guimarães já teria mudado de nome e seria propriedade exclusiva de Samuel.
Yasmin olhou para a procuração, seus dedos tremiam levemente.
Embora não entendesse de negócios, ela sabia que não podia assinar aquilo.
Mas...
— O tio Samuel está com tanta pressa para tomar o poder porque teme não ter outra chance depois?
Uma voz gelada impediu a mão de Yasmin de descer a tempo.
A porta do elevador se abriu.
Guilherme aproximou-se a passos largos, acompanhado por Bruno.
Atrás dele, vinham dois policiais fardados e... vários advogados de terno e gravata.
Ao ver Guilherme, a pálpebra de Samuel tremeu violentamente.
O que esse garoto está fazendo aqui?
O Heitor não deveria ter conseguido?
Mesmo que não tivesse conseguido, Guilherme deveria estar ocupado procurando aquela mulher agora. Como teria tempo de vir ao hospital?
— Guilherme, que palavras são essas?
Samuel forçou a calma e espremeu um sorriso.
— O tio Samuel está apenas ajudando seu pai a dividir as preocupações. Por que você é tão insensato?
— Dividir preocupações?
Guilherme soltou um riso frio e jogou uma pilha grossa de documentos na frente de Samuel.
As contas rolaram pelo chão, fazendo um som nítido.
Ela olhou incrédula para o cunhado que conhecia há décadas.
— Samuel... i... isso é verdade?
— Você queria matar seu irmão? Você queria matar o Guilherme?
Samuel entrou em pânico.
Ele não esperava que Guilherme agisse tão rápido.
Muito menos esperava que aquele inútil do Heitor o vendesse tão completamente.
— Cunhada, essa gravação é montagem! Ele está me incriminando!
— Guilherme quer se livrar de mim, seu ancião, por causa daquela mulher!
— Eu não fiz isso! Eu realmente não fiz!
Ele ainda lutava desesperadamente.
Nesse momento, a porta da UTI se abriu lentamente.
A enfermeira empurrou a cama para fora.
Na cama, Firmino Guimarães, que deveria estar em coma, estava agora de olhos abertos.

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