— Por que não está comendo? A comida da Júlia não está boa?
Beatriz olhou para ele, com os olhos ligeiramente avermelhados.
— Não quero comer.
Sua voz era suave e frágil, carregando um tom de mágoa.
O coração de Guilherme derreteu instantaneamente.
— Então que tal tomar um caldo?
Ele abriu o pote térmico, e um aroma rico de caldo de carne com ovo flutuou no ar.
— Eu mesmo preparei. Cozinhei por duas horas.
— Prove um pouco.
Ele pegou uma colherada, soprou levemente para testar a temperatura e a levou à boca de Beatriz.
Beatriz observou seus movimentos habilidosos e sentiu o nariz arder.
Antigamente, na família Monteiro, era sempre ela quem servia Heitor.
Mesmo com febre alta, ela tinha que se levantar para cozinhar para ele.
Se algo não estivesse minimamente ao gosto dele, ele jogava o prato e a tigela para fora.
— Papai dizia que a minha comida parecia lavagem para porcos.
Beatriz soltou essa frase de repente.
A mão de Guilherme parou.
— Ele não entende de porra nenhuma.
Guilherme soltou um palavrão.
— É a língua dele que tem problema, o paladar dele é que estava estragado.
— Vamos, abra a boca.
Beatriz obedeceu docilmente e engoliu o caldo.
Estava muito saboroso.
Cremoso.
Deslizou pelo esôfago até o estômago, aquecendo-a.
— Está gostoso? — Guilherme olhou para ela com expectativa.
— Uhum.
Beatriz assentiu.
— Está gostoso.
— Se gostou, coma mais um pouco.
As sobrancelhas de Guilherme relaxaram.
Uma colherada após a outra.
Até que, depois de tomar mais da metade da tigela, Beatriz balançou a cabeça.
— Estou cheia.
— Tudo bem.
No momento em que se virou, a ternura em seu rosto desapareceu completamente.
Hospital Central, fora da UTI.
Yasmin estava sentada no banco, segurando um terço na mão e rezando baixinho.
Seu rosto estava pálido e seus olhos cheios de cansaço.
Nos últimos dias, com o marido em estado crítico e Beatriz sequestrada...
A sucessão de golpes estava fazendo aquela senhora, acostumada a uma vida de conforto, desmoronar.
E sentado à sua frente, Samuel mantinha uma aparência calma e tranquila.
Havia até um traço de alegria quase imperceptível em seu olhar.
— Minha cunhada, não se preocupe tanto.
Samuel consolou-a falsamente.
— O irmão mais velho tem proteção divina, ele com certeza vai superar isso.
— Mas...
Ele mudou de assunto, tirando alguns documentos da pasta.
— A empresa não pode ficar sem ninguém no comando.
— Aquele menino, o Guilherme, foi enfeitiçado por aquela Beatriz ultimamente e nem liga mais para a empresa.
— Agora que o Grupo Monteiro faliu e o mercado de ações está instável, o nosso Grupo Guimarães também foi afetado.
— O conselho administrativo está pressionando, dizendo que precisamos de um líder.

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