Heitor enlouqueceu de vez.
Para reduzir sua pena, ele confessou tudo o que sabia, em todos os detalhes.
— Foi o Samuel, foi ele!
— Ele me deu cinco milhões em dinheiro vivo para sequestrar a Beatriz. Esse dinheiro está no cofre da minha empresa agora, não tive tempo nem de depositar!
— Tenho a gravação dele me ligando, tenho a gravação da chamada no meu celular!
Esta é a natureza humana.
Diante do lucro, chamam-se de irmãos; diante da vida ou morte, devoram-se uns aos outros.
Bruno estava ao lado, segurando um tablet, seus dedos operando rapidamente.
— Sr. Guilherme, com base nas pistas fornecidas por Heitor, nossa equipe de investigação já interveio.
— De fato, encontramos várias transferências de fundos para o Grupo Monteiro através de empresas de fachada no exterior.
— A fonte é a conta pessoal do Sr. Samuel.
Guilherme virou-se e arrumou o colarinho impecável.
— As evidências são conclusivas?
— Conclusivas.
Bruno ajeitou os óculos, e um brilho frio refletiu nas lentes.
— Não só isso. Seguindo o rastro, descobrimos coisas ainda mais interessantes.
— O Sr. Samuel, aproveitando que o Velho Senhor estava em coma na UTI, estava falsificando discretamente documentos de transferência de ações.
— E mais, o motorista da van que sequestrou a senhora também foi contratado pelo antigo motorista do Sr. Samuel.
O frio nos olhos de Guilherme se intensificou.
Que belo plano.
Fingindo ser atencioso no hospital enquanto apunhalava pelas costas.
Até a vida da esposa do próprio sobrinho serviu de moeda de troca.
— Já que ele está com tanta pressa para morrer.
A voz de Guilherme era tão fria que parecia ter vindo do inferno.
— Então eu vou realizar o desejo dele.
— Vamos, volte para o hospital.
— Quero que ele veja com os próprios olhos como ele perdeu tudo.
No entanto, antes de ir ao hospital, ele precisava passar em casa.
Mansão Meia-Montanha, quarto principal.
Beatriz estava encostada na cabeceira da cama, segurando um copo de água morna.
As marcas das amarras em seus pulsos haviam se tornado roxas e pretas.
Júlia entrou com uma bandeja, com uma expressão cuidadosa de quem quer agradar.
— O Senhor ordenou especificamente que eu preparasse uma canja especial para você. Tome um pouco enquanto está quente.
Beatriz olhou para a tigela de sopa translúcida e balançou a cabeça.
— Não quero.
Sem apetite.
Seu estômago parecia estar cheio de algodão, uma sensação sufocante.
— Ah, mas não pode ser assim! — Júlia ficou ansiosa. — Seu corpo já está fraco, e você não come há um dia inteiro.
— Se o Senhor voltar e vir isso, vai ficar bravo de novo.
Enquanto ela falava, passos firmes foram ouvidos na porta.
— Quem vai ficar bravo?
Guilherme entrou.
Ele carregava um pote térmico na mão e ainda trazia o frio de fora em suas roupas.
Mas, no momento em que viu Beatriz, toda a frieza se transformou em ternura.
— Acordou?
Ele colocou o pote térmico na mesa de cabeceira e sentou-se naturalmente na beira da cama.

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