— Sente-se, vou passar o remédio.
Guilherme pegou a caixa de primeiros socorros e fez Beatriz sentar na beira da cama.
O cotonete com pomada foi aplicado suavemente sobre os hematomas.
A cada toque, a mão de Guilherme tremia um pouco.
O quanto isso devia doer.
A sua Beatriz tinha pavor de dor.
Antigamente, um pequeno corte no dedo a fazia chorar por muito tempo.
Agora, com ferimentos tão graves, ela não emitia um som sequer.
Os olhos de Guilherme ficaram cada vez mais vermelhos, e seu nariz ardia intensamente.
Uma lágrima caiu repentinamente sobre as costas da mão de Beatriz.
Beatriz parou por um momento.
— Desculpe...
A voz de Guilherme estava embargada, com um som nasal forte.
— Beatriz, me desculpe... fui eu que não te protegi bem.
— Eu sou um lixo. Se eu tivesse ido mais cedo, se eu não tivesse deixado você voltar sozinha para o apartamento...
Ele se culpava profundamente.
O coração de Beatriz, de repente, amoleceu completamente.
Ela estendeu a mão, segurou suavemente o rosto de Guilherme e limpou as lágrimas dos cantos dos olhos dele com o polegar.
— Guilherme. — Ela olhou nos olhos dele e disse seriamente. — A culpa não é sua.
— Além disso... você chegou bem a tempo. Como um herói.
— É verdade.
Guilherme olhou para o sorriso forçado dela, e seu coração doeu ainda mais.
Ela estava claramente com tanto medo, seu corpo ainda tremia levemente, mas ela ainda tentava consolá-lo.
— Não sorria. — Guilherme enterrou o rosto na palma da mão dela e disse com a voz abafada. — Está horrível.
— Se quiser chorar, chore. Na minha frente, não precisa fingir.
Os dedos de Beatriz tremeram.
Ela se inclinou e abraçou o pescoço de Guilherme.
As lágrimas finalmente romperam a barragem.
— Guilherme...
— Eu tive medo...
— Eu tive tanto medo...
Dentro do escritório do presidente.
— Paf!
Guilherme jogou uma pilha grossa de documentos sobre a mesa.
— Isso é tudo o que Heitor tem agora?
Bruno estava diante da mesa, suportando a enorme pressão, e assentiu.
— Sim. O Grupo Monteiro teve seu fluxo de caixa rompido há meses.
— Para manter as aparências, Heitor tem pegado empréstimos com agiotas frequentemente nos últimos meses.
— Com juros sobre juros, a dívida já chega a trezentos milhões.
— E além disso...
Bruno olhou para a expressão de Guilherme e acrescentou cautelosamente.
— Descobrimos que a razão pela qual Heitor ousou arriscar tudo para sequestrar a senhora...
— Foi porque alguém lhe fez uma promessa.
— Contanto que ele conseguisse o acordo de transferência de ações que está em suas mãos, a outra parte quitaria todas as dívidas dele e ainda lhe daria uma linha de navegação internacional.
Guilherme soltou um riso frio e bateu levemente os dedos na mesa.
— Linha de navegação? Parece que o tio Samuel tem estado ocioso demais ultimamente...

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