A residência privada de Guilherme era uma mansão localizada a meia encosta.
Assim que o carro parou, a governanta Júlia saiu com um guarda-chuva para recebê-los.
Ao ver Guilherme descer segurando Beatriz, que estava coberta de ferimentos, Júlia ficou tão assustada que quase deixou o guarda-chuva cair.
— Ai, meu Deus! O que aconteceu?
— Prepare um banho quente.
Guilherme não explicou, seu rosto estava assustadoramente sombrio.
— Prepare um pijama limpo e a caixa de primeiros socorros.
— Sim, sim, vou agora mesmo.
Júlia não ousou perguntar mais nada e correu para preparar tudo, enxugando as lágrimas.
No quarto principal, no segundo andar.
Guilherme colocou Beatriz sobre o banco estofado do banheiro.
— Beatriz. — Ele se agachou na frente dela, segurando suas mãos geladas. — Estamos em casa. Aqui é seguro, não há pessoas ruins. Você... quer tomar banho sozinha ou quer que eu te ajude?
Ele perguntou com muito cuidado.
Beatriz olhou para o homem à sua frente, cujos olhos estavam cheios de vasos sanguíneos estourados.
O terno dele estava encharcado, e seu cabelo estava bagunçado.
— Eu me lavo sozinha.
A voz de Beatriz era fraca.
— Tudo bem. — Guilherme soltou as mãos imediatamente, levantou-se e recuou. — Eu estarei bem na porta. Se precisar de algo, me chame. Eu não vou embora.
— Hm.
A porta do banheiro se fechou.
Guilherme, no entanto, parecia ter tido as forças drenadas; encostou-se na parede e escorregou lentamente até sentar no chão.
Ele tirou um maço de cigarros do bolso e tentou acender um, mas suas mãos tremiam violentamente.
Tentou várias vezes, mas a chama não acertava a ponta do cigarro.
— Merda!
Ele praguejou baixo e arremessou o maço de cigarros no chão com força.
Inútil.
Guilherme, você é um maldito inútil.
Disse que ia protegê-la, e qual foi o resultado?
Bem debaixo do seu nariz, deixou que ela fosse sequestrada e humilhada.
Se ele tivesse chegado um segundo mais tarde...
Só de pensar nas consequências, Guilherme tinha vontade de se matar.
Dentro do banheiro, ouvia-se o som da água caindo.
Beatriz estava diante do espelho.
Lentamente, peça por peça, ela despiu as roupas rasgadas.
Ele é Guilherme, a pessoa que te tirou do inferno.
Você não pode deixá-lo preocupado.
— Estou bem.
A voz de Beatriz, embora ainda um pouco rouca, já estava muito mais calma.
— Já vou sair.
Dez minutos depois, a porta do banheiro se abriu.
Beatriz saiu vestindo um pijama largo.
Os cabelos molhados caíam sobre os ombros, fazendo seu rosto pequeno parecer ainda mais pálido.
Guilherme ainda estava sentado no chão; ao vê-la sair, levantou-se desajeitadamente às pressas.
Por ter ficado sentado muito tempo, suas pernas estavam dormentes, e ele quase caiu.
— Por que não secou o cabelo? Vai pegar um resfriado.
Ele pegou a toalha das mãos dela e ajudou a secar as gotas de água nas pontas dos cabelos.
Quando seu olhar pousou nas marcas vermelhas no pescoço dela, que ainda não haviam desaparecido, suas pupilas se contraíram bruscamente.
Foram feitas por Heitor.
Naquele instante, a aura assassina de Guilherme quase transbordou.
Mas ele a reprimiu rapidamente.
Ele tinha medo de assustá-la.

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