No rosto dela, havia a marca vermelha de um tapa.
Suas roupas estavam desgrenhadas, e ela parecia em estado deplorável.
— Beatriz.
Guilherme ajoelhou-se em uma perna, com a voz rouca.
— Não tenha medo, sou eu.
— Eu cheguei.
O olhar de Beatriz estava um pouco disperso.
Ao ouvir a voz familiar, seus cílios tremeram.
Então, lentamente, ela levantou a cabeça.
— Gui... Guilherme?
— Sou eu.
Com os olhos avermelhados, Guilherme estendeu a mão para abraçá-la.
Beatriz, no entanto, encolheu-se.
Era uma reação instintiva do corpo.
Era o medo da violência.
A mão de Guilherme parou no ar.
— Acabou, acabou.
Ele conteve a amargura, estendeu a mão novamente e a pegou no colo diretamente.
A pessoa em seus braços era leve como uma brisa.
Ele segurou Beatriz e caminhou a passos largos para fora.
— Pare!
Atrás deles, Heitor levantou-se cambaleando.
Ele segurava um pedaço de vidro quebrado, com um olhar maníaco.
— Solte-a! Ela é minha!
— Beatriz! Você é minha em vida e será minha na morte!
— Você quer ir embora com esse homem selvagem? Só por cima do meu cadáver!
Heitor rugiu e avançou.
Guilherme não parou seus passos.
— Sr. Heitor.
Bruno estendeu a mão sem expressão, agarrou o pulso de Heitor e torceu-o com força.
— Ahhh!
Heitor soltou um grito agonizante, e o caco de vidro caiu no chão.
— Eu aconselho o senhor a não se mexer.
Bruno ajeitou os óculos, com um tom gelado.
— O Sr. Guilherme não quer sujar as mãos, mas para mim tanto faz.
— Quem é você?! Um cachorro ousa me impedir?! — Heitor suava frio de dor, mas sua boca continuava suja. — Saia daqui! Esta é minha mansão! Vou processar vocês por invasão de domicílio!
— Você chama amarrar alguém, colocar um saco na cabeça e tentar forçar relações sexuais de disputa sentimental?
— Sr. Heitor, a lei atual não é definida pela sua família.
— Levem-no!
Dois policiais avançaram e ergueram Heitor, um de cada lado.
— Me soltem! Eu sou o presidente do Grupo Monteiro! Eu quero ver meu advogado!
— Guilherme, seu canalha desprezível! Foi você quem armou para mim!
— Beatriz, Beatriz, fale alguma coisa! Eu fiz tudo isso por você!
Guilherme, carregando Beatriz, já havia caminhado para dentro da cortina de chuva.
A chuva caía pesada.
Bruno segurava um guarda-chuva preto, seguindo de perto.
Mesmo assim, respingos de chuva ainda caiam.
Guilherme protegeu Beatriz em seus braços, usando seu corpo para bloquear todo o vento e a chuva para ela.
O motorista já havia aberto a porta do carro, e Guilherme a colocou cuidadosamente no banco de trás.
Dentro do carro, o aquecedor estava ligado no máximo, isolando o vento e a chuva fria do lado de fora.
E também isolando os rugidos repugnantes de Heitor.
— Para a mansão.
Guilherme ordenou com voz grave.

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