Heitor subitamente explodiu de raiva e arremessou a taça de vinho no chão com força.
— Plaft!
Fragmentos de vidro voaram para todos os lados.
Algumas gotas de vinho tinto respingaram no rosto de Beatriz, escorrendo por sua bochecha.
Beatriz olhou para aquele homem enlouquecido, seus olhos cheios de repulsa.
— Heitor, você realmente já me amou?
Heitor parou por um momento, parecendo não esperar aquela pergunta.
— Amar? Claro que amei!
Ele se agachou, tentando agarrar os ombros de Beatriz.
— Se eu não te amasse, teria me casado com você?
— Se eu não te amasse, teria mantido o seu quarto intocado por esses cinco anos?
— Beatriz, você é minha esposa, por toda a vida!
Beatriz virou o rosto, desviando das mãos dele.
— O seu amor é me forçar a doar medula para a sua amada? É passar o aniversário com a Larissa enquanto eu estava deitada no hospital?
— O seu amor é me ver ter as pernas quebradas e ainda me forçar a assinar o acordo de divórcio?
A cada frase, sua voz ficava mais fria.
— Heitor, não insulte a palavra "amor".
— Você só ama a si mesmo.
— Essa sua aparência apaixonada agora é apenas porque eu não te amo mais.
— É só porque me tornei a esposa de outro homem, e você não aceita isso.
— Você é patético.
— Paf!
Um tapa estalado atingiu o rosto de Beatriz com força.
Seu rosto foi virado para o lado, e um fio de sangue escorreu pelo canto de sua boca.
Heitor ofegava, com a mão ainda tremendo.
— Cale a boca! Cale a boca!
— Você é minha! Ninguém vai te tirar de mim!
Como se tivessem pisado em seu ponto fraco, ele ficou completamente histérico.
Ele agarrou o cabelo de Beatriz e a forçou a levantar a cabeça.
O rosto, que originalmente era bonito, agora estava retorcido como o de um demônio.
— Já que você diz que eu não te amo, já que diz que sou um demônio...
— Então serei um demônio até o fim.
— Guilherme não está te procurando?
— Diga-me, se ele visse a mulher com quem se importa gemendo nos braços de seu inimigo mortal...
— Será que ele enlouqueceria?
A outra mão de Heitor começou a rasgar os botões do casaco de Beatriz.
— Rás —
A manga da blusa foi rasgada, e as pupilas de Beatriz se contraíram violentamente.
— Heitor! Você não ouse!
Antes que pudesse reagir, a porta do quarto foi finalmente aberta com um chute.
Um homem encharcado, emanando uma aura assassina, apareceu na porta.
Era Guilherme. Ele havia chegado.
— Bang!
Guilherme desferiu um soco direto no rosto de Heitor.
Heitor nem teve tempo de gritar; seu corpo voou longe.
Ele bateu com força contra a adega atrás dele.
— Crash! —
Vinho tinto se espalhou pelo chão, o líquido vermelho-escuro misturando-se com o sangue no canto da boca de Heitor, fluindo sinuosamente.
A cena era chocante.
— Gui... Guilherme...
Heitor cobria o lado do rosto que inchava rapidamente, com um olhar cheio de rancor.
— Isso é um assunto de família entre mim e Beatriz... quem é você para...
— Assunto de família?
Guilherme riu com frieza e chutou o abdômen de Heitor com força.
Heitor curvou-se de dor como um camarão, tendo ânsias de vômito.
— Você ainda tem a coragem de falar em família?
Guilherme não olhou mais para aquele lixo.
Ele se virou, tirou o próprio paletó e envolveu o corpo trêmulo de Beatriz.

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