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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 190

Onde você está, afinal?

Beatriz acordou sentindo frio.

Sua cabeça parecia que ia explodir.

A parte de trás de seu crânio latejava, como se alguém a tivesse golpeado com um martelo, e tudo diante de seus olhos era escuridão.

Havia um saco de pano grosso e preto cobrindo sua cabeça.

Beatriz conseguia apenas perceber um leve feixe de luz através das costuras do tecido.

Suas mãos e pés também estavam amarrados.

A corda de sisal áspera apertava com força; qualquer movimento mínimo causava uma dor lancinante.

Onde era aquilo?

Beatriz forçou-se a manter a calma.

Aquela não era a primeira vez que ela era sequestrada.

Cinco anos atrás, para forçá-la a doar um rim para Larissa, a família Andrade havia feito a mesma coisa.

Naquela época, ela pensava que, se morresse, seria uma libertação.

Mas agora não.

Ela havia prometido a Guilherme que voltaria.

Ela inspirou com força pelo nariz.

Não havia o cheiro de mofo de um armazém abandonado, nem o odor pútrido de um porão.

Ao contrário...

Havia uma fragrância suave.

Aquilo era...

Colônia?

E era o cheiro de uma colônia muito cara.

Misturado a um forte odor de álcool.

Além disso, o toque sob seu corpo não era o de cimento frio, mas sim macio, um tapete felpudo.

Não era um sequestro comum.

Se fosse alguém como Samuel, ele a teria jogado no lugar mais sujo e fedorento para torturá-la.

Jamais lhe daria tal tratamento.

Então, quem era?

— Acordou?

Uma voz soou abruptamente, a menos de dois metros dela.

O corpo de Beatriz congelou instantaneamente.

Aquela voz... mesmo que a pessoa virasse cinzas, ela a reconheceria.

Era a voz gravada em seus pesadelos.

Era a voz que sussurrava "eu te amo" em seu ouvido inúmeras vezes, mas que, pessoalmente, a empurrou para o inferno.

Heitor estava sentado no sofá à sua frente, segurando uma taça de vinho tinto, com o colarinho da camisa aberto, revelando uma grande área de pele avermelhada.

— Por quê?

Beatriz olhou para ele, com o olhar gelado.

— Quanto Samuel lhe pagou? Para você ajudá-lo a me sequestrar?

Heitor girou a taça em sua mão; o líquido carmesim agarrava-se às paredes do vidro, como sangue.

— Benefícios?

Ele zombou, com o olhar um pouco perdido.

— Aquele velho prometeu me dar uma linha de navegação do Grupo Guimarães.

— A condição era apenas entregar você para eu lidar.

— Mesmo que eu te matasse, não importaria.

Ele se levantou e caminhou cambaleando até Beatriz.

— Beatriz, olhe para você agora.

— Estando com Guilherme, é assim que você vive, tão miseravelmente?

— Eu não entendo, o que aquele homem tem de tão bom?

— O que ele pode te dar, eu também posso.

— O que ele não pode te dar, eu também posso.

— Por que você insiste em ser tão baixa e ficar com ele?!

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