Onde você está, afinal?
Beatriz acordou sentindo frio.
Sua cabeça parecia que ia explodir.
A parte de trás de seu crânio latejava, como se alguém a tivesse golpeado com um martelo, e tudo diante de seus olhos era escuridão.
Havia um saco de pano grosso e preto cobrindo sua cabeça.
Beatriz conseguia apenas perceber um leve feixe de luz através das costuras do tecido.
Suas mãos e pés também estavam amarrados.
A corda de sisal áspera apertava com força; qualquer movimento mínimo causava uma dor lancinante.
Onde era aquilo?
Beatriz forçou-se a manter a calma.
Aquela não era a primeira vez que ela era sequestrada.
Cinco anos atrás, para forçá-la a doar um rim para Larissa, a família Andrade havia feito a mesma coisa.
Naquela época, ela pensava que, se morresse, seria uma libertação.
Mas agora não.
Ela havia prometido a Guilherme que voltaria.
Ela inspirou com força pelo nariz.
Não havia o cheiro de mofo de um armazém abandonado, nem o odor pútrido de um porão.
Ao contrário...
Havia uma fragrância suave.
Aquilo era...
Colônia?
E era o cheiro de uma colônia muito cara.
Misturado a um forte odor de álcool.
Além disso, o toque sob seu corpo não era o de cimento frio, mas sim macio, um tapete felpudo.
Não era um sequestro comum.
Se fosse alguém como Samuel, ele a teria jogado no lugar mais sujo e fedorento para torturá-la.
Jamais lhe daria tal tratamento.
Então, quem era?
— Acordou?
Uma voz soou abruptamente, a menos de dois metros dela.
O corpo de Beatriz congelou instantaneamente.
Aquela voz... mesmo que a pessoa virasse cinzas, ela a reconheceria.
Era a voz gravada em seus pesadelos.
Era a voz que sussurrava "eu te amo" em seu ouvido inúmeras vezes, mas que, pessoalmente, a empurrou para o inferno.
Heitor estava sentado no sofá à sua frente, segurando uma taça de vinho tinto, com o colarinho da camisa aberto, revelando uma grande área de pele avermelhada.
— Por quê?
Beatriz olhou para ele, com o olhar gelado.
— Quanto Samuel lhe pagou? Para você ajudá-lo a me sequestrar?
Heitor girou a taça em sua mão; o líquido carmesim agarrava-se às paredes do vidro, como sangue.
— Benefícios?
Ele zombou, com o olhar um pouco perdido.
— Aquele velho prometeu me dar uma linha de navegação do Grupo Guimarães.
— A condição era apenas entregar você para eu lidar.
— Mesmo que eu te matasse, não importaria.
Ele se levantou e caminhou cambaleando até Beatriz.
— Beatriz, olhe para você agora.
— Estando com Guilherme, é assim que você vive, tão miseravelmente?
— Eu não entendo, o que aquele homem tem de tão bom?
— O que ele pode te dar, eu também posso.
— O que ele não pode te dar, eu também posso.
— Por que você insiste em ser tão baixa e ficar com ele?!

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