O coração de Beatriz amoleceu.
— Sim, volto logo.
Ela se soltou dele e caminhou em direção ao elevador.
A antiga lesão na perna latejava; cada passo parecia ser sobre pontas de faca.
Mas ela estava acostumada.
Nos últimos cinco anos, foi assim que ela caminhou, passo a passo.
No momento em que a porta do elevador se fechou, ela viu Guilherme ainda parado no mesmo lugar, olhando para ela com um olhar profundo e sombrio.
Se ela soubesse o que aquela despedida significava.
Ela jamais teria entrado naquele elevador.
O táxi parou em frente ao prédio do apartamento.
Beatriz pagou e caminhou lentamente para dentro.
O vento do início da primavera trazia um frio cortante.
Ela se enrolou mais no casaco desbotado que vestia.
Assim que chegou à entrada do bloco, uma van preta avançou sem aviso prévio.
— *Crrrriiii...* —
O som estridente da frenagem rasgou o silêncio do condomínio.
A porta da van foi aberta violentamente, e dois homens corpulentos usando máscaras pularam para fora.
Beatriz percebeu o perigo quase instintivamente e tentou correr.
Mas ela não conseguia correr.
Era a perna que havia sido quebrada.
Mesmo que apenas apressasse o passo, sentia uma dor lancinante.
— Socor...
O grito de socorro mal saiu, e uma mão áspera cobriu sua boca.
Um cheiro forte de éter invadiu suas narinas.
— Mmm! Mmm!
Beatriz lutou desesperadamente.
Seus dedos arranhavam o braço do homem, as unhas quase cravando na carne.
— Fica quieta!
O homem praguejou com raiva e desferiu um soco no abdômen dela.
A dor intensa a atingiu, e Beatriz se curvou inteira, como um camarão.
Sua visão escureceu, e a consciência começou a se dissipar.
Em seu último vislumbre, ela viu o celular caído no chão.
Na tela, havia uma mensagem que ela não teve tempo de enviar:
[Guilherme, cheguei em casa.]
*Bang.*
A porta da van foi fechada com força.
Cada vez mais rápido, e a inquietação em seu coração também ficava mais forte.
— Desculpe, o número discado não atende...
Bruno baixou o celular, com uma expressão preocupada.
— Sr. Guilherme, ninguém atende.
Guilherme levantou-se, a cadeira arranhando o chão com um som estridente.
— Continue ligando, quero ouvir a voz dela.
Bruno não ousou demorar e continuou discando.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Até que na quinta vez, a voz fria da operadora soou:
— Desculpe, o telefone chamado está desligado.
Desligado.
O rosto de Guilherme ficou branco como papel instantaneamente.
Beatriz nunca desligava o celular, especialmente num momento como aquele.
Ela havia prometido que o deixaria encontrá-la a qualquer momento.
Aconteceu alguma coisa.
Assim que esse pensamento surgiu, não foi mais possível suprimi-lo.

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