No final do corredor do hospital, na saída de emergência.
Samuel segurava seu pulso deslocado, o rosto coberto de suor frio devido à dor.
— Sr. Samuel, o que faremos agora?
O guarda-costas ao lado entregou-lhe cuidadosamente um lenço.
— O que faremos?
Samuel soltou um riso frio; suas feições se contorciam de dor.
— Já que eles não me deixam em paz, ninguém vai viver em paz!
Ele olhou pela fresta da porta para o casal abraçado diante da UTI ao longe.
Antes, ele não achava que Beatriz fosse importante, mas agora via que ela era, basicamente, a vida de Guilherme.
— Organize alguns homens — ordenou Samuel, rangendo os dentes. — Aquela mulher não vai ficar no hospital para sempre.
— Assim que ela estiver sozinha, peguem-na.
— Sr. Samuel, isso... se o Sr. Guilherme descobrir...
— Medo de quê?!
Samuel chutou o guarda-costas com força, o que repuxou o ferimento em sua mão, fazendo-o grunhir de dor.
— Com ela em nossas mãos, aquele moleque do Guilherme vai devolver as ações sem chiar! E então, a família Guimarães ainda será comandada por mim!
— Sim, vou providenciar agora mesmo.
Na porta da UTI.
Guilherme olhava para o pai cheio de tubos na cama, e sua testa franzida finalmente relaxou um pouco.
O eletrocardiograma estava estável, os indicadores melhoravam.
— Guilherme.
Sua manga foi puxada levemente.
Ele baixou a cabeça e encontrou os olhos um tanto cansados de Beatriz.
— Eu queria ir ao apartamento.
O coração de Guilherme apertou, e ele segurou a mão dela instintivamente.
— Fazer o quê?
Beatriz percebeu o nervosismo dele e sorriu, resignada.
— Estou cheirando a antisséptico, e também...
Ela apontou para as próprias roupas.
Estavam amassadas, num estado deplorável.
— Quero voltar para tomar um banho e trocar de roupa.
— Aproveito para pegar o computador, preciso monitorar alguns dados.
Guilherme apertou os lábios.
Ele não queria que ela fosse, não queria se separar dela nem por um segundo.
Guilherme hesitou.
Olhou para o pai ainda dormindo e depois para o corredor guardado apenas por alguns seguranças.
Embora o pai estivesse fora de perigo, a situação poderia mudar a qualquer momento.
Ele realmente não podia sair.
— Então deixe o celular ligado, com a localização ativada.
— Certo.
— Faça uma chamada de vídeo quando chegar em casa.
— Está bem.
— Assim que terminar, volte imediatamente, não demore.
— Entendi, Sr. Guilherme.
Beatriz achou graça.
— Não sou uma criança de três anos.
Guilherme não riu.
Ele se inclinou e a abraçou com força.
— Beatriz, volte logo. Eu... tenho medo.
O homem que era decisivo e implacável nos negócios sussurrou em seu ouvido, com uma voz que continha um tremor quase imperceptível.

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