— Dr. Santos! Emergência no leito 3! Rápido!
A mão de Samuel congelou no ar.
Antes que ele pudesse reagir ao que estava acontecendo, ouviu-se uma série de passos apressados.
Sete ou oito médicos e enfermeiros correram como uma ventania.
— Saiam da frente!
Um médico empurrou Samuel, que bloqueava a porta, e alguém até pisou em seus sapatos de couro de alta costura.
O grupo invadiu a UTI em tumulto.
A porta foi fechada com força.
Samuel foi imprensado contra a parede, com uma expressão de total descrença.
Beatriz encostou-se na parede, uma camada de suor frio cobrindo sua testa.
O impacto anterior tinha doído de verdade.
Mas ver a expressão derrotada de Samuel lhe trouxe uma satisfação imensa.
— Tio Samuel.
Ela sorriu fracamente.
— Parece que a sua estratégia não funcionou muito bem.
Samuel virou a cabeça, encarando Beatriz com ferocidade.
Seus olhos pareciam cuspir fogo.
Ele finalmente percebeu: aquela mulher estava zombando dele!
Com tantos médicos lá dentro em atendimento de emergência, ele não teria chance alguma de agir.
— Sua... sua vadia!
Samuel, furioso e exasperado, levantou a mão.
Desta vez, ele realmente pretendia bater nela.
Mas antes que o tapa pudesse atingi-la, uma mão, como uma tenaz de ferro, interceptou seu pulso no ar.
Ouviu-se um *crac*.
Era o som de osso deslocando.
— Ahhh!
Samuel soltou um grito agudo, como o de um animal sendo abatido.
Guilherme estava ali, emanando uma aura gélida.
Seu terno ainda trazia o frio do vento lá de fora.
Seu olhar era mais aterrorizante do que se estivesse encarando o assassino de seu pai.
— Tio Samuel, você queria usar essa mão para bater na minha mulher?
Sim.
Ela não o deixou perder.
Nesse momento, a porta da UTI se abriu.
O Dr. Santos saiu, tirou a máscara, com uma expressão confusa.
— Quem deu o alarme? A condição do paciente é muito estável, todos os indicadores estão melhorando.
— Toda essa agitação acabou acordando o paciente.
— Sr. Guilherme, seu pai acordou e disse que quer vê-lo.
Samuel, caído no chão, ouviu isso e sua visão escureceu; quase desmaiou.
Guilherme soltou Beatriz e beijou sua testa.
— Espere por mim.
— Sim.
Beatriz observou Guilherme entrar no quarto.
A luz do sol entrava pela janela, iluminando-a.
Embora fosse o início da primavera e ainda estivesse um pouco frio.
Ela sentiu que a primavera havia realmente chegado.

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