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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 183

Guilherme se foi, e o corredor do hospital voltou ao silêncio mortal.

Mas esse silêncio não durou muito.

O som de saltos altos se aproximou.

*Toc, toc, toc.*

Com muito ritmo.

Beatriz levantou a cabeça e viu uma senhora de meia-idade vestindo um conjunto Chanel, caminhando de braços dados com uma jovem vestida de forma extravagante.

Era a tia de Guilherme, Cecília.

E a jovem, Beatriz se lembrava vagamente dela.

Parecia ser uma celebridade de terceira categoria, chamada Isadora.

Também era uma das muitas admiradoras de Guilherme, famosa por sua vaidade.

— Ora, essa é a Beatriz, não é?

Cecília tinha um sorriso no rosto, um sorriso tão falso que parecia uma peça de museu de cera.

— Sozinha aqui vigiando? Que pena, dá até dó.

Enquanto falava, ela media Beatriz de cima a baixo com o olhar.

Roupas baratas, rosto sem maquiagem.

Exceto pelo rosto que era realmente deslumbrante, não havia nada nela que lembrasse uma senhora da alta sociedade.

— Algum problema?

Beatriz não se levantou.

A perna doía, ela não queria se mexer.

— Não posso vir ver se não tiver problema?

Cecília não se irritou, pelo contrário, sorriu ainda mais.

— Ouvi dizer que minha cunhada ficou doente de raiva? Ai, essa cunhada também, por que tanto estresse?

— Diferente de mim, eu acho a Beatriz ótima. Embora a origem seja... aquela coisa, ela é bonita.

Ela virou a cabeça e deu tapinhas na mão de Isadora.

— Isadora, querida, você precisa aprender com ela.

— Como deixar um homem tão enfeitiçado a ponto de esquecer a própria família.

Isadora cobriu a boca rindo, o olhar cheio de desprezo.

— Tia Cecília, não brinque assim. Eu nunca conseguiria aprender esses truques.

— Ouvi dizer que a Srta. Andrade usou muito drama e fingiu sofrimento para subir na vida. Eu, que tenho medo de dor, jamais conseguiria fazer isso.

O olhar de Beatriz esfriou subitamente.

Fingir sofrimento?

Então, aos olhos dessas pessoas, as torturas que quase lhe tiraram a vida eram apenas meios para disputar atenção?

— Guilherme!

Aquele grito fez Beatriz se arrepiar.

Guilherme desviou o corpo, e Isadora abraçou o ar.

— O que você está fazendo aqui?

Guilherme franziu a testa, com uma expressão de nojo.

— A tia Cecília disse que o tio Guimarães estava doente, vim ver...

Isadora fez um bico de choro, as lágrimas vindo sob comando.

— Guilherme, você não era assim antes.

— É por causa dessa mulher?

Ela apontou para Beatriz, com o rosto cheio de acusação.

— O que ela tem de bom? Uma mulher divorciada e usada...

— Cale a boca!

Guilherme rugiu baixo.

— Se não quiser desaparecer desta cidade, saia. Agora. Imediatamente.

O olhar dele era aterrorizante.

Isadora tremeu de medo, mas lembrando-se da promessa de Samuel — de que se conseguisse segurar Guilherme por dez minutos, ele arranjaria aquele papel principal para ela.

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