Médicos e enfermeiros correram com uma maca e levaram Yasmin também para a sala de emergência.
O corredor ficou vazio instantaneamente.
Restou apenas a luz vermelha de "Em Cirurgia" acesa e o rastro do caos no chão.
Guilherme encostou-se na parede e afrouxou a gravata.
Tirou um maço de cigarros do bolso, quis acender, mas olhou para a placa de "Proibido Fumar" e, irritado, guardou-o de volta.
Caminhou até Beatriz e agachou-se.
Sua figura alta bloqueou a luz branca e forte do corredor.
— A perna está doendo?
Sua mão grande e quente cobriu suavemente a perna machucada dela.
Beatriz encolheu-se um pouco.
— Não dói.
Era mentira que não doía.
Mas o que era aquela dor comparada a tudo?
Guilherme olhou para o rosto pálido dela, seus olhos estavam cheios de veias vermelhas.
— Sinto muito.
Ele pediu desculpas novamente.
Nos últimos dias, essas foram as palavras que ele mais disse.
— Eu sou muito inútil, não sou?
Guilherme enterrou a cabeça nos joelhos dela, com a voz abafada.
— Prometi que protegeria você, mas ainda assim deixei você passar por essa humilhação.
— O Bruno acabou de me ligar, disse que o tio Samuel, com uma procuração antiga do papai, quer me tirar da jogada na reunião do conselho.
— Ele disse que, por causa de uma mulher, ignorei os interesses da família e não mereço ser o herdeiro.
Os dedos de Beatriz entraram nos cabelos pretos e rígidos dele, penteando-os suavemente.
— Guilherme.
— Hum?
— Você precisa de resultados, não é?
Guilherme levantou a cabeça, com o olhar um pouco perdido.
— O tio Samuel controla o fluxo de caixa agora, e vários grandes projetos que estavam comigo foram suspensos.
— Ele quer me isolar e me forçar a baixar a cabeça para ele.
Beatriz curvou os lábios num leve sorriso.
— Aquele projeto do novo medicamento, falta a tecnologia principal, certo?
Guilherme ficou atônito: — Como você sabe? Isso é segredo comercial...
— Eu não só sei, como também sei que, sem essa tecnologia principal, os dez bilhões que vocês investiram inicialmente vão para o ralo.
— E além disso...
Ela fez uma pausa, o olhar vagando para a porta fechada da UTI.
— Aqueles que querem rir de nós, eu vou fazer com que nem consigam chorar.
— Antes, meus resultados de pesquisa eram roubados por Heitor para dar a Larissa, e eu era forçada pela família Andrade a vendê-los a preço de banana.
— Agora, tenho o direito de decidir a quem dar.
— Quero que seu tio Samuel veja o que é um verdadeiro "trunfo".
Guilherme apertou o pen drive na mão, as arestas machucando a palma.
Ele olhou para aquela mulher magra diante dele.
Apesar de coberta de cicatrizes, apesar de ter passado por tanto sofrimento, ela ainda conseguia erguer um guarda-chuva para ele no meio da tempestade.
— Está bem.
Guilherme levantou-se e guardou o pen drive no bolso próximo ao coração.
Então, inclinou-se e beijou os lábios dela com intensidade.
Foi um beijo com gosto de sangue e lágrimas.
— Beatriz, espere eu vencer essa batalha.
— Nós vamos realizar o casamento.
— Quero que o mundo inteiro saiba que fui eu, Guilherme, quem tirou a sorte grande com você.

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