— Este aqui.
Guilherme apontou.
Beatriz hesitou:
— Esse... tem as costas nuas.
Em suas costas, havia uma cicatriz rosa claro.
Era de quando ela doava sangue para Miguel, aquele homem violento, e ele, em um acesso de loucura, a empurrou contra a quina de uma mesa.
O que Felipe dissera na época?
"É só um machucado, para que tanto drama?"
Ninguém nunca se importou se ela sentia dor.
Guilherme pareceu perceber sua preocupação.
Ele dispensou a todos com um gesto e pegou pessoalmente o vestido.
— Experimente.
— Mas as minhas costas...
— Aquilo é uma medalha.
Guilherme a interrompeu, deslizando a ponta dos dedos suavemente pelas costas dela, sobre o tecido, como se beijasse aquela cicatriz.
— Beatriz, não tenha medo.
Meia hora depois.
No momento em que a cortina se abriu, a respiração de Guilherme parou.
O tecido prateado e fluido se ajustava perfeitamente às curvas do corpo dela, como se ela estivesse vestindo a própria galáxia.
O design nas costas era ousado, mas Guilherme mandou adicionar propositalmente uma corrente de franjas de diamante, que cobria a cicatriz na medida certa, adicionando, ao contrário, um toque de mistério.
Seus cabelos estavam presos, revelando um pescoço longo e elegante.
O rosto tinha apenas uma maquiagem leve, mas, por causa daqueles olhos agora cheios de brilho, ela estava assustadoramente bela.
Fria, nobre, inigualável.
Onde estava a mulher descartada? Aquilo era claramente uma deusa nobre perdida no mundo mortal.
— Está muito feio?
Vendo que Guilherme não dizia nada, Beatriz segurou a barra do vestido, um pouco constrangida.
— Eles sempre diziam que quando eu usava esse tipo de roupa parecia uma imitação barata tentando ser chique...
— Ele merecia morrer.
Guilherme caminhou até ela a passos largos, com os olhos transbordando um desejo de posse e admiração indisfarçáveis.
— Beatriz, você tem ideia do que parece agora?
— O quê?
— Parece a minha rainha.
— Ouvi dizer que ela se formou em Stanford com honras? É realmente bela e talentosa.
— A Sra. Guimarães tem muita sorte de ter uma futura nora assim.
Ouvindo esses elogios, Catarina ergueu o queixo ainda mais.
Ela adorava a sensação de ser o centro das atenções.
Nesse momento, houve uma comoção na entrada.
— Meu Deus... quem é aquela?
— Que linda...
— Aquele é o carro do Sr. Guilherme, não é?
O sorriso no rosto de Catarina congelou enquanto ela seguia o olhar de todos.
Viu apenas um Rolls-Royce Phantom preto parando lentamente.
O manobrista abriu a porta respeitosamente.
Uma mão de ossos bem definidos estendeu-se primeiro.
Em seguida, Guilherme, em um terno preto, desceu do carro.
Ele ignorou os olhares ao redor, virou-se e estendeu a mão para dentro do veículo com extrema gentileza.
Uma mão suave e fina pousou levemente na palma da mão dele.

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