Beatriz desceu do carro.
O longo vestido "Via Láctea" brilhava sob as luzes e, conforme ela andava, parecia que inúmeras estrelas fluíam ao seu redor.
Ela segurava o braço de Guilherme, com as costas retas e uma expressão serena.
Sem bajulação, sem timidez.
Apenas uma aura de nobreza que fazia com que as pessoas não ousassem olhar diretamente.
A multidão, que antes elogiava Catarina, silenciou instantaneamente.
Todos os olhares foram atraídos por Beatriz.
Até Yasmin ficou paralisada no lugar.
Aquela era mesmo a Beatriz submissa e com ar de pobreza?
— Como é possível...
Catarina quase deixou a taça de champanhe cair.
Ela olhava para o vestido de Beatriz, louca de inveja.
Aquele era o vestido que ela implorara ao estilista por muito tempo e não conseguira emprestar!
Por que aquela vadia estava usando?
— Hmph, mesmo vestindo o manto real, não parece uma rainha.
Catarina cerrou os dentes e sussurrou veneno no ouvido de Yasmin.
— Tia, olhe para ela. Vestida de forma tão extravagante... Hoje é o aniversário da vovó, ela quer roubar a cena? Realmente não tem educação nenhuma.
Ao ouvir isso, o rosto de Yasmin fechou na hora.
— Guilherme também perdeu o juízo!
Catarina recompôs sua expressão, segurou a taça e caminhou até eles com todo o seu charme.
— Srta. Andrade?
Ela aumentou o tom de voz propositalmente, bloqueando o caminho dos dois.
— O vestido de hoje é bonito, hein? Alugou em qual loja de noivas?
Alguns risos abafados foram ouvidos ao redor.
Afinal, todos tinham ouvido falar da origem de Beatriz.
Beatriz parou e olhou calmamente para a mulher à sua frente, que parecia um peru de natal.
Antes que ela pudesse falar, Guilherme soltou um riso frio.
— Se a Srta. Catarina não reconhece a obra de despedida do Sr. Y, deveria ler mais livros em vez de expor sua ignorância aqui.
O rosto de Catarina empalideceu.
Por ela, ele estava suportando o mal-entendido de seus parentes mais próximos.
Beatriz deu tapinhas leves nas costas da mão de Guilherme para acalmá-lo.
Em seguida, levantou a cabeça e olhou calmamente para Yasmin.
— Sra. Guimarães, hoje estou aqui como esposa de Guilherme para parabenizar a aniversariante.
— Se minha roupa ou minha presença lhe causam desconforto, peço desculpas.
— Mas educação não se mede pelo preço da roupa que se veste, e sim pela capacidade de respeitar cada convidado.
— Você!
Yasmin levou a mão ao peito, furiosa.
— Ótimo, muito bem!
Yasmin riu de raiva e puxou Catarina.
— Catarina, vamos embora. Vou levá-la para cumprimentar o Sr. Braga e o tio Francisco. Não vamos perder tempo com gente sem vergonha.
Dito isso, ela arrastou Catarina em direção ao salão de festas.
Catarina olhou para trás com presunção e ergueu as sobrancelhas em provocação para Beatriz.
O olhar dizia: Viu só? Mesmo que se vista bem, você nunca se integrará a este círculo.

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