Catarina estava sentada no sofá, segurando com força um convite banhado a ouro.
Era o convite para o octogésimo aniversário da velha Sra. Guimarães.
Era também a "garantia" que Yasmin fizera questão de enviar.
— Beatriz... uma nerd que só sabe estudar, com que direito ela pensa que pode competir comigo?
Catarina cerrou os dentes, e seus olhos estavam injetados de sangue.
Ela havia passado vergonha no instituto de pesquisa e fora repreendida severamente pelo Prof. Francisco.
Mas isso não significava que ela havia perdido.
Neste círculo social, o que importava era a linhagem, as conexões e o prestígio acumulado por gerações.
E daí que Beatriz tivesse ganhado um Prêmio Nobel?
Aos olhos da elite da Capital, ela continuava sendo uma mulher cuja mãe morrera, que rompera com a família Andrade, uma divorciada expulsa pela família Monteiro, uma "arrivista" que não merecia estar ali.
— Basta fazer com que todos a isolem no banquete de aniversário. Quero ver como ela manterá essa arrogância!
Catarina soltou um riso frio e discou o número de Yasmin.
— Tia, aquele vestido de alta costura da Elie Saab da estação que eu queria usar há tempos, a senhora consegue emprestar para mim? Eu gostaria de honrar a família Guimarães no aniversário da vovó.
Do outro lado da linha, a voz de Yasmin soou satisfeita.
— Fique tranquila, vou mandar providenciar agora mesmo. Neste banquete, você deve ofuscar a todas e mostrar a Beatriz o que é uma verdadeira herdeira de uma família nobre.
Ao desligar o telefone, Catarina olhou para sua maquiagem impecável no espelho e finalmente esboçou um sorriso.
Enquanto isso, na mansão da família Guimarães.
Beatriz olhava para as fileiras de vestidos de gala que Guilherme mandara trazer para o closet e sentiu uma leve dor de cabeça.
— É realmente necessário ir?
Ela não gostava desse tipo de ocasião.
Antigamente, na família Monteiro, cada banquete desses era um pesadelo para ela.
Heitor nunca permitia que ela usasse roupas de cores vivas, dizendo que ela não era digna, que só servia para usar terninhos cinzas e pretos e andar atrás dele como uma secretária carregando sua bolsa.
Um ano, ela vestiu secretamente um vestido vermelho, querendo fazer uma surpresa para ele.
Guilherme virou o corpo dela, forçando-a a encará-lo.
Seu olhar era ardente, carregado de uma determinação inquestionável.
— Agora, quem está ao seu lado sou eu.
— Eu vou te levar não para socializar, mas para que todos vejam claramente que a esposa de Guilherme é a melhor mulher do mundo.
O coração de Beatriz falhou uma batida.
Guilherme estalou os dedos.
Vários estilistas de alto nível, vestindo uniformes pretos, entraram em fila.
— Sr. Guilherme, toda a alta costura da estação está aqui. Qual estilo a Srta. Andrade prefere?
Guilherme correu os olhos pelos vestidos luxuosos e, finalmente, seu olhar pousou em um vestido sereia prateado e fluido.
Era a obra de despedida do famoso estilista sino-brasileiro "Y" — intitulada "Via Láctea".
Dizia-se que nem todo o dinheiro do mundo poderia comprá-lo.

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