Era por aquele eu que entregou todos os resultados de suas pesquisas de mão beijada, apenas por um olhar de aprovação da família.
Era pela Beatriz do passado, que amou até se ferir profundamente, mas que persistiu em sua obsessão.
Adeus.
Àquele eu estúpido.
Beatriz deslizou lentamente pelas costas da porta até sentar-se no chão.
Ela enterrou o rosto nos joelhos, permitindo que aquela lágrima secasse silenciosamente.
Não se sabe quanto tempo passou até que o celular no bolso vibrou.
Na tela, o nome "Guilherme" pulsava.
Ela respirou fundo, atendeu o telefone e tentou fazer sua voz parecer normal.
— Alô?
Do outro lado da linha, veio a voz grave e gentil do homem.
— A reunião acabou. Beatriz, estou indo te buscar.
Beatriz levantou-se, caminhou até a janela e afastou um canto da cortina.
Lá embaixo, ao lado do familiar Bentley preto, Guilherme estava parado silenciosamente.
Ele vestia um terno preto impecável, sua figura alta e esbelta parecia a de um soberano na escuridão da noite.
Ele pareceu sentir o olhar dela, erguendo a cabeça para olhar em sua direção.
Seus olhares se encontraram.
Mesmo a dezenas de metros de distância, Beatriz pôde ver claramente a preocupação e a ternura nos olhos dele.
Naquele instante, toda a mágoa e a dor pareceram encontrar um lugar de repouso.
Ela enxugou o último vestígio de umidade no canto do olho, virou-se e caminhou rapidamente em direção à porta.
Beatriz entrou apressada no elevador e apertou o botão do térreo.
— Ding —
A porta do elevador se abriu.
Aquele Bentley preto, discreto e luxuoso, estava parado silenciosamente não muito longe.
Guilherme estava encostado na porta do carro, olhando fixamente para a saída do elevador.
Ao vê-la sair, ele imediatamente endireitou o corpo e caminhou a passos largos em sua direção.
— Por que demorou tanto?
Beatriz caminhou até ele, não disse nada, apenas estendeu os braços e abraçou suavemente sua cintura, enterrando o rosto em seu peito quente e firme.
— Hum?
— Da próxima vez, você poderia não me esperar lá embaixo?
Os olhos negros de Guilherme escureceram:
— Por quê?
Beatriz ficou na ponta dos pés, aproximou-se do ouvido dele e sussurrou:
— Chama muita atenção. Tenho medo de que os preços dos imóveis no nosso condomínio disparem da noite para o dia por sua causa.
Guilherme ficou atônito.
Era a primeira vez que ouvia Beatriz fazer uma piada.
Ele apertou a bochecha dela, com um carinho inabalável no fundo dos olhos.
— Está bem. Da próxima vez, subo direto para te esperar.
Ele abriu a porta do carro, protegendo a cabeça dela para que entrasse.
O carro saiu suavemente da garagem e se integrou ao fluxo de trânsito da cidade.
Beatriz olhou pela janela e, de repente, perguntou:
— E a família Andrade? O que vai acontecer com eles?

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