— A família Andrade colheu o que plantou, Beatriz, não precisa se preocupar.
Guilherme falou com um tom indiferente, como se estivesse comentando algo corriqueiro.
Beatriz ficou em silêncio por um momento.
— A essa altura, Matheus e os outros devem vir me implorar, não é?
— Sim. — Guilherme concordou. — Eles logo descobrirão que ameaças e subornos são inúteis.
— E depois?
Guilherme virou a cabeça, olhou para ela e um sorriso frio surgiu no canto de seus lábios.
— Depois, eles começarão a jogar a cartada emocional.
— Afinal, você é a única tábua de salvação deles.
Beatriz repuxou os lábios, com o olhar completamente gelado.
Sentimentos?
Entre eles, esse tipo de coisa já havia deixado de existir há muito tempo.
Assim como Guilherme previu.
A família Andrade, após o pânico inicial da falência, começou a usar todos os meios possíveis para tentar contatar Beatriz.
Felipe deixou o orgulho de lado e ligava dezenas de vezes por dia, mas, sem exceção, foi bloqueado em todas.
Matheus e Lucas tentaram contatá-la através de conexões no meio acadêmico, mas descobriram que todos ao redor de Beatriz simplesmente ignoravam seus pedidos.
Miguel chegou a correr impulsivamente para a frente do prédio da Vesper Sistemas, tentando invadir à força, mas acabou sendo "convidado" gentilmente por dois seguranças de um metro e noventa a se retirar para o outro lado da rua.
Todos os caminhos estavam bloqueados.
Enquanto isso, a vida de Heitor também não estava fácil.
As ações do Grupo Monteiro foram gravemente afetadas pelo escândalo com a família Andrade.
Mais importante ainda, Guilherme começou a atacá-lo de todas as direções no mercado empresarial.
Projetos lucrativos eram tomados um a um, e parceiros de longa data mudavam de lado.
Heitor estava desesperado e exausto.
Nos seus sonhos à meia-noite, o que surgia diante de seus olhos não era mais o rosto lamentável de Larissa.
Mas sim Beatriz, vestindo seu jaleco branco, trabalhando concentrada no laboratório.
— Antes, eu fui um canalha, fui cegado por Larissa!
— Me dê mais uma chance, por favor?
Havia um tom de súplica humilde em sua voz.
Beatriz olhou para ele e, de repente, riu.
— Chance? Heitor, se você quebrar meu vaso favorito e disser "desculpe", acha que ele vai se consertar?
— Se você me esfaquear e disser que errou, acha que a ferida vai cicatrizar imediatamente?
— Você está me pedindo uma chance?
Ela deu um passo à frente, aproximou-se dele e disse, palavra por palavra, com extrema clareza:
— Você merece?
O rosto de Heitor ficou pálido instantaneamente.
Beatriz desviou dele, abriu a porta do carro e entrou.
O motor ligou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico