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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 135

Beatriz olhou friamente para a atuação de Isabel, sem dizer uma palavra.

Isabel, vendo que ela não se movia, começou a chorar mais alto e a esbofetear o próprio rosto com força.

— Pá!

— Pá!

O som dos tapas estalados soava cada vez mais alto.

— Eu mereço morrer! Fui eu que te tratei mal no passado! Eu fui parcial, não agi como um ser humano!

— Estou me curvando para você, Beatriz!

Ela realmente começou a bater a cabeça, uma vez após a outra, contra o chão de cimento frio.

Logo, sua testa começou a sangrar.

— Por favor, considere que seu pai está velho, com a saúde frágil, e que a empresa está realmente acabada. Ajude a família uma última vez!

— É o trabalho de uma vida inteira do seu avô!

— Se você não nos ajudar, nós realmente só teremos a morte como opção!

— Nossa família inteira terá que pular do topo do prédio do Grupo Andrade!

Era a chantagem emocional mais extrema.

Usando sangue, usando a vida, para extorquir a consciência dela.

Beatriz baixou a cabeça, olhando para aquela mulher que outrora a via como um espinho nos olhos, uma farpa na carne.

Ela se lembrava de quando teve febre alta na infância e Isabel a trancou no quarto, sem lhe dar comida ou água.

Ela se lembrava de quando Larissa quebrou o vaso antigo favorito do pai e Isabel puxou seus cabelos, forçando-a a admitir que tinha sido ela.

Ela se lembrava de que, toda vez que Miguel a agredia, Isabel apenas cruzava os braços e ria friamente ao lado, dizendo "bem feito".

quelas memórias encharcadas de sangue e lágrimas, que foram deliberadamente esquecidas, agora flutuavam diante de seus olhos com clareza incomparável.

E a mulher diante dela estava ajoelhada no chão, humilde como a poeira, abraçando suas pernas e usando as lágrimas mais baratas na tentativa de comprar sua simpatia.

No coração de Beatriz, não havia um pingo de prazer.

Ela deu dois passos lentos à frente, parando a três passos de distância de Isabel.

Isabel viu os sapatos de salto alto aparecerem diante de seus olhos, parou de chorar abruptamente e levantou a cabeça.

O que encontrou foram os olhos de Beatriz, calmos e sem ondas.

— Você já acabou?

Beatriz falou, e sua voz era igualmente assustadoramente calma.

Beatriz não deu mais atenção aos xingamentos dela e se virou para entrar no prédio.

O portão eletrônico pesado se fechou lentamente.

Isolando completamente todo o choro e a maldade do lado de fora.

Beatriz encostou-se na porta fria e fechou os olhos.

O mundo finalmente ficou em silêncio.

Mas seu corpo não conseguiu evitar e começou a tremer levemente.

Uma lágrima quente, sem aviso prévio, escorreu do canto do olho fechado.

Deslizando pela bochecha pálida.

Aquela lágrima.

Não era pela família Andrade.

Não era por Isabel.

Nem pelos xingamentos insuportáveis.

Era por aquela garotinha que, no passado, encolhida no quartinho escuro do sótão, com frio e fome, ainda esperava tolamente que o papai viesse vê-la, nem que fosse por um instante.

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