O abraço de Guilherme era o único porto seguro de Beatriz neste mundo.
As espadas que antes podiam feri-la facilmente, agora, separadas pelo peito firme dele, pareciam distantes e confusas.
Mas distante não significava inexistente.
Nos pesadelos da meia-noite, aquelas feridas abertas ainda latejavam de dor.
O aniversário de Beatriz estava chegando.
No entanto, o mundo da família Andrade estava prestes a desabar.
O preço das ações despencou e os telefonemas de cobrança dos bancos quase explodiam o celular de Felipe.
Matheus trancou-se no escritório, sem dormir por dias e noites, mas ainda não conseguia pensar em nenhuma maneira de reverter a situação.
Lucas usou todos os seus contatos, mas as respostas que obteve foram surpreendentemente consistentes: — Desculpe, não nos atrevemos a nos envolver nos assuntos da família Andrade.
Não se atreviam.
Porque essa era a vontade de Guilherme.
Finalmente, após ser cobrado mais uma vez pelo gerente do banco com um tom quase humilhante, Felipe jogou a xícara de chá no chão com força.
— Vamos procurar Beatriz!
Seus olhos estavam vermelhos, como os de um jogador que perdeu tudo.
— Ela é uma Andrade! Ela tem que cuidar de nós!
Matheus franziu a testa:
— Pai, Beatriz... ela não vai nos receber.
— Não vai? — Felipe riu com frieza, com uma loucura de quem não tem mais nada a perder no rosto. — Então vamos fazer um escândalo até ela aceitar nos ver!
— Quero ver se ela, a presidente da Vesper Sistemas, a futura Senhora da família Guimarães, realmente tem coragem de perder a reputação!
Miguel levantou-se sem dizer uma palavra, com um brilho sombrio no fundo dos olhos.
— O pai tem razão.
— Ela quer cortar relações conosco? Não vai ser tão fácil assim!
O edifício da Vesper Sistemas erguia-se na área mais próspera da Capital.
Este era um símbolo de tecnologia e futuro, frequentado pela elite do setor, todos bem vestidos e apressados.
Felipe resolveu ficar no meio do saguão e começou a berrar.
— Sua filha ingrata! O trabalho de uma vida inteira do seu avô está prestes a ser destruído! E você se esconde aí dentro e não quer me ver!
Miguel seguiu o exemplo, ecoando com voz sombria:
— Beatriz! Está se achando muito importante, não é? Esqueceu qual é o seu sobrenome?
Essa cena imediatamente atraiu os olhares de todos no saguão.
Os funcionários pararam, cochichando e apontando para Felipe e Miguel.
— Aqueles não são os familiares da Srta. Beatriz? Por que estão fazendo escândalo lá embaixo?
— Pelo que dizem, a empresa da família Andrade vai falir e vieram pedir dinheiro para a Srta. Beatriz?
— Tsc, tsc, a Srta. Beatriz é muito azarada por ter uma família dessas.
A assistente Elisa relatava a situação lá de baixo para Beatriz com o rosto ansioso.
— Srta. Beatriz, os seguranças já foram até lá, mas eles... afinal, são seus familiares, os seguranças não ousam usar a força.
Beatriz estava diante da enorme janela de vidro, olhando para as duas figuras lá embaixo que pareciam palhaços.

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