— Deixe-os subir.
Ela falou calmamente.
Elisa ficou atônita:
— Srta. Beatriz?
— No meu escritório.
Depois de dizer isso, Beatriz voltou para sua mesa e sentou-se.
Logo, a porta do escritório foi empurrada brutalmente.
Felipe e Miguel entraram correndo.
Ao ver Beatriz naquele tailleur de alta costura e o escritório espaçoso e iluminado atrás dela, os olhos de Felipe ficaram vermelhos instantaneamente.
— Beatriz!
Ele correu até a mesa e deu um tapa no tampo.
— Você está muito bem agora, não é?! Mora em mansão, abre empresa... já esqueceu completamente de nós, sua família?!
Beatriz ergueu os olhos e o encarou com calma.
— Falem o que querem.
Sua atitude fria enfureceu Felipe completamente.
Felipe começou sua atuação, chorando copiosamente.
— Beatriz! Você vai assistir de braços cruzados o trabalho de uma vida inteira do seu avô falir?
— O Grupo Andrade foi fundado pelo seu avô! Agora que a empresa está em dificuldades, como você, sendo neta, pode não ajudar?
— Você é tão rica agora, qualquer migalha que deixar cair seria suficiente para a família superar essa crise! Como pode ser tão fria?! Tão cruel!
Ele chorava e gritava, como se Beatriz fosse a pecadora mais imperdoável.
Miguel cruzou os braços ao lado, completando com um tom sombrio:
— Beatriz, aconselho você a pensar bem.
— Não esqueça que você também tem o sobrenome Andrade! Se a empresa falir, que vantagem você leva?
— Você acha que a família Guimarães vai aceitar de verdade uma mulher que não ajuda a própria família? Se isso se espalhar, o que será da sua reputação?!
Um fazia chantagem emocional, o outro usava ameaças e intimidações.
Beatriz olhou para eles e, de repente, achou tudo aquilo ridículo.
Quando ela foi incriminada por Larissa, abandonada por Heitor e empurrada escada abaixo por eles mesmos, por que não se lembraram de que ela também tinha o sobrenome Andrade?
Seu olhar deslizou lentamente do rosto distorcido de Felipe para Miguel.
— Desde o dia em que vocês permitiram que Larissa roubasse o mérito de eu ter salvado Miguel e me expulsaram de casa...
— Eu e a família Andrade cortamos laços definitivamente.
Dito isso, ela não olhou para eles mais uma vez e virou-se decisivamente.
— Joguem-nos fora.
— Sim, Srta. Beatriz!
— Beatriz! Sua ingrata! Você vai pagar por isso!
— Me soltem! Beatriz, você me paga!
As maldições do pai e as ameaças do irmão foram se distanciando atrás dela, até serem completamente isoladas pela pesada porta do escritório.
Beatriz ficou parada no mesmo lugar, de costas para a porta, imóvel.
Um leve tremor se espalhou da ponta dos dedos por todo o seu corpo, revelando a dor avassaladora no fundo de seu coração.
Ela pensou que já era imune a tudo.
Mas, afinal, ser atacada com as palavras mais cruéis pelos parentes mais próximos... o coração ainda doía.

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