Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 261

Laís

O corredor estava quieto quando me aproximei do quarto da Aelyn.

Ia só avisar que estava na hora de sair, que o doutor Henrique tinha ligado com uma vaga para o primeiro exame ainda aquela tarde, sorte, ou organização dele, não sabia bem qual. Mas antes de bater ouvi as vozes pelo vão da porta entreaberta.

A voz da Aelyn, mais baixa que o normal.

E o silêncio do Felipe que dizia mais do que qualquer fala.

Parei por um segundo.

Não para ouvir, só para entender o momento antes de entrar.

Bati de leve.

"Felipe? Aelyn?"

O movimento dentro do quarto foi rápido, aquele tipo de rápido que tenta não parecer rápido. A Aelyn apareceu na porta com o celular na mão e aquele sorriso dela de quem está sendo completamente inocente.

"Oi, tia Laís." A voz saiu um tom acima do necessário. "Eu e o Felipe estamos ouvindo música."

Olhei para a tela do celular que ela segurava, ela estava tentando fechar a foto, mas não foi rápida o suficiente.

Eu vi.

Reconheci o rosto mesmo de relance.

Olhei para o Felipe, que estava sentado na cama com aquela postura de quem não sabe exatamente onde colocar as mãos. Olhei de volta para a Aelyn, que sustentava o sorriso com uma determinação admirável para seis anos.

Ela era uma garotinha intrigante.

"Música", eu repeti.

"Sim."

Fiz uma pausa de um segundo.

"Sem problemas." Sorri para ela. "Vim buscar o Felipe. O médico conseguiu uma vaga para o primeiro exame ainda hoje."

A Aelyn virou o rosto para o Felipe.

"Já?", ele disse.

"Sim, queremos fazer esses testes o quanto antes, certo?"

"Sim."

Ele se levantou, encontrou o chão com os pés com aquela segurança que estava crescendo a cada dia, e veio na direção da minha voz.

A Aelyn ficou parada na porta enquanto a gente saía, e eu senti o olhar dela nas nossas costas até virarmos o corredor.

O carro estava aquecido de ficar parado no sol.

Entrei, ajudei o Felipe a se acomodar no banco do passageiro, dei a volta, sentei, liguei o motor. Tudo no automático, aquela rotina que tinha se instalado sem que eu percebesse quando tinha se instalado.

"Onde está o papai?", ele perguntou, quando saímos da garagem.

"Foi resolver uma coisa no escritório. Ele disse que vai encontrar com a gente na clínica."

Ele assentiu.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, a cidade passando do lado de fora, o rádio baixo em alguma estação que eu não tinha escolhido com cuidado. Mas algo ainda martelava em minha mente, então resolvi perguntar.

"Você está curioso sobre a Emily."

Não era acusação. Saiu assim, direto, porque era a verdade e eu não via motivo para contornar.

261. Eu tô pronto 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz