Capítulo 98 — Já fui domado
Declan Reed
Acordei confuso, como se por um momento não me lembrasse onde estava. Mas ao sentir a dor nas mãos, me situei.
— Amor… — ouvi a voz mais doce do mundo, a que mais amo.
— Oi… — ela me deu um beijo e aquilo foi como um bálsamo, um alívio da dor, do medo que tive de perdê-la.
— Me desculpa, amor… — falei assim que nos separamos.
— Não vamos falar sobre isso agora. — ela disse. — Teremos tempo para nos entendermos.
— Não quero depois, Jenny, nunca mais haverá depois entre nós. — me sentei com cuidado ao seu lado. — A partir de hoje só teremos o agora, agora estou com raiva, agora estou sofrendo, agora está doendo e preciso resolver.
— Declan… — ela tentou, mas não deixei.
— Eu sei, amor, sei que está com medo, porque mais uma vez perdi o controle perto de você. — segurei a mão dela. — Eu não vou prometer que nunca mais vai acontecer, porque infelizmente, ainda não consigo. Mas eu prometo, Jenny Cullen, que vou tentar, que vou mudar, e fazer o que for preciso por você. Mas nunca mais, amor, por favor, nunca mais… — comecei a sentir as lágrimas pelo meu rosto. — Fala que pensa em me deixar, eu não vou suportar te perder também…
— Declan…
— Eu não vou suportar… — falei e a agarrei, chorei… eu desabei.
Jenny chorava junto comigo, mas não me largou.
— Amor, me escuta. — ela segurou meu rosto entre as mãos. — Eu não vou te deixar, e precisamos falar sobre seu pai. — Fechei meus olhos lembrando de suas últimas palavras sobre ele. — Mas não agora, e nem hoje. — ela me deu um selinho. — Agora só quero ficar aqui com você, deitados, juntos, sem pensar em nada disso.
— Eu te amo… — falei.
— Eu também te amo muito, mais do que eu consiga expressar com palavras.
Eu não sei quanto tempo ficamos ali abraçados, com as lágrimas molhando o travesseiro entre nós. Só sei que era o suficiente para entender que ela era tudo. O suficiente pra me lembrar do que estava em jogo. E do que eu quase perdi por causa dessa escuridão que me consome às vezes.
Jenny estava ali. Inteira. Ferida, mas ali. E isso era mais do que eu merecia.
Me afastei só o bastante para olhar em seus olhos.
— Fica comigo hoje… — pedi num sussurro. — Eu preciso de você.
Ela assentiu, com um sorriso pequeno nos lábios, e os olhos ainda marejados. O tipo de sorriso que se dá quando o coração entende o que a razão não consegue explicar.
Aproximei meu rosto e a beijei devagar. Sem urgência. Só com vontade. Aquela vontade que vem da alma, da necessidade de tocar a pessoa e ter certeza de que ela é real.
Nossas bocas se encaixaram como se procurassem consolo uma na outra. O beijo era molhado, lento e cheio de emoção. Um beijo que dizia "ainda estamos aqui", "eu te escolho", "não solta minha mão".
Minhas mãos deslizaram pela lateral do corpo dela, traçando o caminho da sua cintura até a curva de seus quadris. Ela se arrepiou, e eu sorri no beijo, porque conheço cada reação do corpo dela como se fosse parte do meu.
Deitei-a com cuidado, meu corpo ficando sobre o dela, mas sem peso. Só presença. Só calor. Ela me olhava como se me visse pela primeira vez… ou como se me reconhecesse de novo depois de me perder por alguns instantes.
— Você tá aqui, né? — ela sussurrou, como se precisasse de confirmação.
— Eu tô aqui, amor… — respondi, beijando a ponta do nariz dela. — E não vou mais embora, prometo lutar para essa escuridão nunca mais me tomar.
Suas mãos subiram pelas minhas costas, puxando minha camiseta, me querendo mais perto. Nossos corpos estavam com saudade. Do toque. Do calor. Da conexão. Parecia que não nos víamos há dias, ou meses, e tudo que precisávamos era um do outro.
Me desfiz das roupas que nos separavam, uma peça de cada vez, sem pressa. Queria aproveitar cada gesto, cada segundo dessa reconciliação silenciosa. Jenny me tocava com carinho, com firmeza. Como quem segura algo precioso com medo de perder de novo.
Ficamos nus um diante do outro. E foi bonito. Simples e bonito. A luz da manhã filtrava pelas cortinas e desenhava o contorno do corpo dela como se o universo quisesse me lembrar da sorte que eu tinha por tê-la.
Passei os dedos pelos cabelos dela, afastei as mechas do rosto, como se isso me permitisse vê-la melhor. Como se isso me permitisse… amá-la mais.
— Você é linda pra caralho, Jenny Cullen. — murmurei, com a voz embargada. — E eu… eu sou um homem melhor porque você me ama.
Ela sorriu, mas seus olhos brilharam com emoção.
— Você só precisa lembrar disso quando a dor vier. — disse, tocando meu rosto. — Lembrar de mim. Da gente. E do quanto já vencemos.
— É só isso que eu quero. A gente pra sempre.
Então eu a beijei outra vez.
A penetração foi lenta, como uma promessa sendo feita sem palavras. Nossos corpos se encaixaram com naturalidade, como se dissessem um ao outro: “bem-vindo de volta”.
Ela entrelaçou as pernas em mim, os olhos grudados nos meus. E não havia pressa. Só toque, respiração, entrega. O som dos nossos corpos se encontrando era abafado pelas batidas do nosso coração, acelerado, descompassado, mas no mesmo ritmo.
Eu gemi baixo quando ela me apertou por dentro, como se o corpo dela me dissesse que também sentiu minha falta. Que precisava de mim do mesmo jeito que eu precisava dela.
— Declan… — ela sussurrou, e foi só meu nome, mas dito como quem diz “te amo”, “confio em você”, “fica comigo”.
— Eu tô aqui, pequena… Eu tô aqui…
Acariciei seu rosto com os polegares, beijei suas pálpebras, seu queixo, sua clavícula. Queria que ela soubesse que cada parte dela era adorada por mim. Que ela era tudo.
Nossos movimentos ficaram mais intensos, mas sem brutalidade. Era amor, era conexão. Era o tipo de sexo que marca a alma, e não só o corpo.
Até que o prazer veio. Devagar, depois urgente. E nós gozamos juntos. Eu dentro dela, gemendo o nome da mulher que mudou a porra da minha vida inteira. E ela… se desfazendo nos meus braços, me puxando como se quisesse me guardar dentro do peito.
Caí sobre ela, ofegante. Os dois cobertos de suor e amor.
Ficamos em silêncio, só ouvindo nossos corações voltando ao compasso.
Depois de alguns segundos, beijei o ombro dela, e sussurrei:

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