Capítulo 97 — Eu só sei…
Dominic Costello
Depois de um plantão difícil, tudo que eu mais queria era tomar um banho, deitar na minha cama e esquecer o mundo por algumas horas. Mas assim que estacionei meu carro, e segui para o privativo, James, o porteiro, veio até mim e contou sobre as reclamações do barulho vindo da cobertura.
Reed…
Usei o código que ele compartilhou comigo e com o Noah, e fui direto para seu apartamento. A porta abriu, era cenário de guerra, segui em direção ao barulho e logo a vi. Cabelos castanhos, lisos, batendo na altura do ombro. Vestido curto que mostrava suas pernas torneadas, mas ela não tinha porte atlético, o que era intrigante.
Apontei a arma, e a mandei descer, quando ela virou, olhei direto em seus olhos. Castanhos intensos, traços chamativos, a garota era bonita. Mas pelo visto era um furacão. E foi isso que ela foi, correu, me desafiou, e logo eu, um cara tranquilo, ela tirou do sério. Acho que nunca discuti tanto com uma mulher em tão pouco tempo.
Ela não tinha culpa, e eu me sentia culpado por tê-la feito se machucar, mas demonstrei isso do jeito errado. Discutimos novamente, ela teimou de novo e acabei agindo por impulso.
— Dom, não faz isso. — Jenny me pediu, mas eu já estava levantando o vestido dessa atrevida para poder ajudá-la.
— Você não tem esse direito, eu vou te matar. — ela me falou, mas a segurei com uma mão e com a outra levantei de leve o vestido. — NÃO LEVANTA MEU VESTIDO, NÃO LEVANTAAA! — ela gritou, e naquele segundo notei seu desespero, eu não sei o que houve comigo, não sou assim… eu só agi.
— Taylor… — Jenny disse em uma mistura de espanto e pena. Tirei as mãos dela imediatamente, mas já era tarde, o que ela não queria nos mostrar já estava exposto.
E eu era o babaca da história.
— Taylor… — Jenny sussurrou para ela, que estava calada, com o rosto enterrado no colchão e as mãos agarradas no lençol. — Me desculpe, eu só queria te ajudar… — a culpa estava estampada na voz da Jen.
— Tá tudo bem, Jenny, poderia me deixar sozinha, por favor. — a voz dela veio abafada, mas eu sabia que ela estava chorando.
— Posso só tirar o caco? Vou com cuidado, com a pinça, e depois deixo o kit aqui pra você.
Taylor não respondeu de imediato, mas depois só balançou a cabeça em um sim. Jenny foi até ela, com cuidado e carinho, tirou o caco e a garota gemeu. Ela limpou rapidamente, colocou o kit ao seu lado na cama.
— Vamos sair, mas se precisar…
— Eu não vou. — ela rebateu, não deixando Jenny terminar.
— Vem, Dom. — Jen me disse e fiz sinal com a cabeça para que ela saísse.
Ela me olhou confusa, e coloquei o dedo na boca, um gesto claro para que ela se calasse. Relutante, ela suspirou em derrota e saiu sem mim. Assim que a porta fechou.
— Eu disse que queria ficar sozinha. — ela falou e eu sorri.
— Como sabe que ainda estou aqui?
— Primeiro porque você é um babaca que não respeitaria um pedido meu… — ela fez uma pausa, e aquilo me atingiu, pois eu realmente não a tinha respeitado. — Depois porque ouvi só os passos dela, o Thor não pisa leve, só não ouvi na cozinha porque estava feliz demais comendo meu chocolate.
Ficamos em silêncio por um tempo, não sei dizer quanto. Até que decidi quebrar.
— Tenho permissão para me aproximar?
— Se eu falar que não, vai obedecer?
— Não.
— Então porque perguntou, seu idiota. — ela virou a cabeça para o lado, e vi as lágrimas em seu rosto.
Caminhei até ela, me sentei ao seu lado, peguei o kit, o algodão, antisséptico e comecei a cuidar do ferimento.
— Aiii.. — ela gemeu baixo, parei por um instante e depois voltei a limpar. Coloquei um curativo, abaixei seu vestido, mas não me levantei, não consegui.
— Se está esperando um “obrigado”, só vai receber um “não fez mais que sua obrigação”.
— Justo, fui eu quem a machucou. — Ela virou de vez agora, e seus olhos encontraram os meus.
— É assim que pedem desculpa em Manhattan?
Sorri para ela.
— Não, vou fazer direito agora. Me desculpe, não devia ter levantado seu vestido.
Ela não me respondeu, mas também não tirou os olhos dos meus.
— Eu não sou babaca assim, na verdade, não sei o que aconteceu hoje.
— Costumo causar esse efeito nas pessoas.
Voltamos a ficar em silêncio, eu já tinha me desculpado, ela estava bem, Declan estava bem. Eu devia me despedir, levantar e ir embora… mas fiquei ali.
— Pergunta logo, agente. — ela chamou minha atenção.
— O que aconteceu? — fui direto.
— Você quer a versão sofrida, ou a prática?
— Quero a que você estiver disposta a me dar.
Taylor gemeu, se ajeitou na cama e olhou para o teto.
— Eu tinha dezesseis anos, minha mãe tinha morrido e eu precisava pagar o muquifo que morava. Tropeço me obrigou a assumir o lugar dela, e eu me recusei, ele me bateu e me levou à força.

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