Entrar Via

Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 345

Capítulo 345 — O Super-Herói

Noah Blake

O inferno tem um som. Eu sempre achei que o inferno fosse silencioso, escuro e frio, como o vazio que habitou o meu peito durante a maior parte da minha vida. Mas eu estava errado. O inferno rugia. Ele estalava, sibilava e consumia tudo o que tocava. E, naquele exato momento, o inferno estava separando a minha alma do meu corpo por uma porta dupla de madeira apodrecida.

— ABRE ESSA PORRA! — O meu grito não soou humano. Foi um som primitivo, rasgado, vindo das profundezas de um homem que estava sendo estripado vivo.

Joguei todo o peso do meu corpo contra a porta do celeiro. O impacto enviou uma onda de dor alucinante pelo meu ombro direito, mas eu não senti absolutamente nada. Recuei dois passos e bati novamente. E de novo. E de novo.

— Sai da frente, Noah! — Declan rugiu, correndo pelo gramado com um machado de lenhador que ele havia arrancado da parede do galpão de ferramentas.

Meu irmão ergueu o machado e cravou a lâmina de aço grosso bem no meio da junção das portas de madeira. O som da madeira lascando foi alto, mas a tranca de ferro por dentro, pesada e antiga, não cedeu.

Chris e Dom se juntaram a mim. Os três homens mais fortes daquele esquadrão jogavam os próprios corpos contra a porta repetidas vezes, ignorando o suor, o desespero e o calor absurdo que começava a irradiar de lá de dentro.

Porque a fumaça tinha começado a sair.

Primeiro, foi um filete negro escapando pelas frestas superiores do teto. Depois, o cheiro químico, forte e inconfundível de gasolina queimando atingiu as minhas narinas como um soco no estômago. O crepitar das chamas subiu de volume. Aquele desgraçado, aquele lixo humano, tinha colocado fogo no celeiro com a minha mulher lá dentro.

— Não! Não, não, não! JULIET! — O pavor me engoliu por inteiro. O ar fugiu dos meus pulmões. As minhas mãos, que um dia antes seguravam o rosto da mulher da minha vida no altar, agora estavam ensanguentadas por arrancar farpas de madeira da porta a unhas.

Eu estava enlouquecendo. O CEO intocável, o homem que sempre tinha um plano, um cálculo e uma saída, estava morto. Eu era apenas um animal desesperado vendo o amor da sua vida queimar.

Doze metros atrás de nós, a nossa família assistia ao pesadelo. Juan Rivera gritava no rádio da equipe de segurança, exigindo caminhões de bombeiros, helicópteros, qualquer merda que pudesse despejar água ali em segundos. As meninas choravam em pânico. Esther e Mia já preparavam kits de primeiros socorros na grama, pálidas como fantasmas.

E, segurando as crianças aos prantos, estava o José. O porto-riquenho tentava manter o Heitor, a Laurinha, o pequeno Luke que a Juliet tinha acabado de salvar e o meu irmão gêmeo, o Norton, afastados da linha de perigo.

Ton tinha trinta e três anos, exatamente a minha idade. Ele tinha a minha altura, a largura dos meus ombros e a mesma força muscular bruta que a genética nos deu. Mas a mente dele era um santuário de inocência. O meu irmão gêmeo via o mundo através de histórias em quadrinhos, desenhos animados e cores vibrantes. Ele era a luz pura que eu sonhei uma vida inteira tentar proteger das sombras do mundo. E, para ele, a Juliet era o centro de tudo. Ela o acolheu, o amou e o tratou com uma doçura tão grande que o Ton passou a chamá-la de "mamãe", apenas para imitar as crianças, porque ele sabia que "mamãe" significava a pessoa que nos ama incondicionalmente.

Olhei para trás por um segundo, os olhos ardendo pela fumaça que já empesteava o gramado.

Ton estava chorando. Ele olhava para a fumaça preta que subia para o céu azul da tarde, os olhos arregalados em choque.

— A mamãe tá lá dentro... — Ouvi a voz infantilizada e desesperada do Ton murmurar, enquanto o José tentava segurar o braço dele. — O homem mau levou a mamãe. Tem fogo!

— Fica aqui, Ton! Calma! O Noah vai tirar ela de lá! — José tentava acalmá-lo, mas a voz do próprio José estava embargada de pânico.

Voltei a bater contra a porta. O calor encostado na madeira já era insuportável. As chamas lá dentro estavam altas, devorando o oxigênio, consumindo o teto do celeiro. Cada segundo que passava era um prego no caixão da minha sanidade. Se a Juliet morresse ali dentro, eu não sobreviveria. Eu não queria sobreviver. Eu andaria direto para aquele fogo e queimaria junto com ela. Era um pensamento egoísta, pois meus filhos e meu irmão precisavam de mim… mas neste momento era tudo que passava pela minha mente.

— B**e no meio! — Chris ordenou para o Declan, com a voz rouca pela fumaça.

Declan desferiu mais três golpes com o machado. A madeira cedeu no centro, criando um buraco negro de onde uma lufada de ar quente e fumaça tóxica espirrou direto nos nossos rostos.

Tossi violentamente, caindo de joelhos na grama.

— Ju... — Murmurei, a visão embaçada pelas lágrimas.

Foi então que aconteceu.

O instinto de um herói não pede permissão. Na mente do meu irmão gêmeo, o mundo estava em perigo. O vilão estava com a mocinha. O fogo era o monstro. E nos quadrinhos que o Ton passava horas lendo na varanda da nossa casa, os heróis nunca ficavam parados assistindo.

— Ton, não! FICA AQUI! — O grito desesperado do José ecoou pelo campo.

Virei o rosto, ainda tossindo, e o que eu vi fez o meu sangue virar gelo.

Norton Blake havia se soltado do aperto do José. Movido por uma adrenalina e por um desespero que apenas a pureza de uma criança poderia ter, o Ton correu. O meu irmão, um homem de quase um metro e noventa de altura e mais de cem quilos de puro músculo, correu na direção do celeiro em chamas com a velocidade e a fúria de um trem de carga desgovernado.

— NORTON! NÃO! — O meu grito rasgou a minha garganta, agudo e desesperado.

Tentei me levantar, mas o Ton já havia passado por mim como um furacão. Ele não parou. Ele não hesitou. Ele não tinha medo do fogo, ele não entendia a física da morte. Ele só queria salvar a "mamãe".

O estrondo foi surreal.

Ton jogou o ombro imenso e todo o peso do seu corpo gigantesco contra a porta dupla do celeiro que já estava enfraquecida pelas machadadas do Declan. A madeira estalou, quebrou e a tranca de ferro foi arrancada do batente com uma força bruta e esmagadora. As portas escancararam para dentro com violência.

O impacto criou um vácuo. Uma parede de chamas laranjas e fumaça preta soprou para fora, mas o Ton não recuou. O meu irmão simplesmente sumiu dentro da fumaça espessa, engolido pelo inferno.

— TON! JULIET! — O pânico absoluto e irracional tomou conta de mim.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar