Capítulo 96 — Um grande mal-entendido
Taylor Laurent
Eu estava no meu paraíso pessoal, sim na cozinha, comendo um dos chocolates mais caros do mundo quando de repente uma voz rouca soou atrás de mim.
— Desce com cuidado, e com a mão pra cima.
Que merda! Achei que a vida começava a melhorar e quando me virei… esqueci de respirar. Tinha um anjo bombado, quer dizer, um homem armado na minha frente.
— Eu disse, desce. — A voz dele veio mais rouca e dessa vez um pouco sexy. Que merda é essa?
— Não sei o que tá rolando aqui, mas agradecia se abaixasse a arma. — eu disse.
— Eu vou abaixar, assim que você descer.
— Quem me garante? — perguntei.
— Eu. — ele retrucou. — Não esquece que você aí em cima, ou aqui embaixo, eu ainda tenho a arma.
Olhei para a mão dele, a arma não estava engatilhada. Ele não ia atirar, só queria me colocar medo. Pensei nas minhas possibilidades, se eu jogasse o chocolate nele, ele abaixaria a guarda e eu pularia no balcão da frente e iria conseguia correr para a porta. Isso se eu não me perder de novo no apartamento.
Meu pensamento durou segundos, e assim que o concluí, agi.
— O que?! — ele falou confuso, batendo no pacote que joguei nele, pulei e fiz como planejei. O bom de crescer na rua, é que tem coisa que se aprende desde pequena. E fugas, foi uma delas.
Eu corri pelo caminho que fiz antes, e quando cheguei na sala me esqueci que tinha rolado a terceira guerra mundial e estava tudo destruído, e eu tinha sido burra o suficiente e tirado meu sapato e deixado na cozinha. Assim que pisei nos cacos no chão a dor veio, e junto dela um puta de um escorregão. As pernas voaram juntas e a bunda foi direto pro chão.
— MERDA! — gritei e ele apareceu. Eu estava toda fodida, pés, braços, e provavelmente minha bunda já que o vestido da Jen era curto, estava tudo cortado pelos cacos de vidro.
— Não se mexa. — ele disse firme.
— Nem que eu quisesse conseguiria, seu babaca. — respondi.
Mas é claro que menti, no primeiro passo dele, levantei de uma vez. Na hora não pensei em gritar por ajuda, pela Jen, ou pelo Declan. Só pensei em correr até o elevador, mas o cara que tinha cara de anjo e corpo do Thor me alcançou.
— ME SOLTA SEU CRETINO! — Comecei a gritar e me debater.
— Tá achando que vai fugir depois do que fez? — ele disse ainda me segurando pela cintura.
— E o que foi que eu fiz, comi um chocolate de $500 dólares, eu pago pro Declan.
Por um minuto ele afrouxou o aperto, e nessa oportunidade dei uma cotovelada nele.
— OW… — ele gritou. E antes que qualquer um de nós fizéssemos mais alguma coisa.
— Dom, solta ela. — era a Jenny, parada na porta entre a sala e o corredor e o rosto assustado.
— Jen?! — ele disse me soltando, aproveitei e corri até ela.
— Taylor, o que houve? — ela me perguntou.
— Esse cretino me atacou.
— Ataquei? Se me lembro bem, você quem começou.
— O que eu comecei? Você apontou uma arma pra mim.
— Se tivesse descido como pedi, e me dito que conhecia os donos da casa, nada disso tinha acontecido.
— Se tivesse abaixado a arma como eu pedi EDUCADAMENTE, eu teria descido e conversaríamos.
— Gente… — Jen tentou uma vez.
— Claro que teria, no instante que eu abaixasse teria fugido do mesmo jeito.
— Cara, preciso te dizer. Você é um babaca.
— Eu mediria as palavras se fosse você, eu sou um agente do FBI e posso te levar presa, garota.
— Sobre qual acusação? A de me defender de um bombado folgado como você?
— GENTE! — Jenny falou um pouco mais alto, e paramos.
Ela olhou para o babaca na nossa frente.
— Dom, como entrou?
— Declan deu acesso a mim e ao Noah. Nosso porteiro recebeu reclamações de um barulho vindo da cobertura, eu estava chegando quando ele me abordou. Liguei pro Reed que não me respondeu, e quando entrei dei de cara com isso. — ele apontou para a sala destruída. Ouvi barulhos vindo lá de dentro, cheguei lá, foi isso aí que vi. — agora ele apontou pra mim.
— Olha, tô começando a achar que era melhor ter continuado em South, porque aqui um diz que “não uso roupas de gente” e agora o outro vêm esfrega na cara “isso aí”. — Imitei o gesto dele. — Reforçando a ideia de que não sou nada. — Cruzei os braços irritada.
— Dom, não foi a Taylor quem fez isso, foi o Declan. — Jenny disse em um tom suave.
Mesmo que o tal do “Dom”, no primeiro momento tivesse pensado que eu era a ladra bagunceira, ele não pareceu surpreso em saber quem foi.
— E como ele está? — ele falou dessa vez guardando a arma.
— Dormindo.
— Me desculpe, Jen, eu não sabia, só me preocupei.
— Tá tudo bem, mas acho que as desculpas não tinham que ser pra mim. — Jenny falou para ele, depois olhou para mim.
— É Taylor, né? — ele me perguntou, mas não esperou resposta. — Sinto muito, mas não aja daquela forma novamente, eu não atirei, mas outro teria.

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