Capítulo 94 — Apesar de tudo
Jenny Cullen
Eu chorei, me preocupei, me descabelei, não preguei os olhos a noite inteira e nem mesmo consegui fazer o meu trabalho, algo que levo muito a sério. Por ele, pensando nele, com medo por ele.
E quando chego na casa dele, o que encontro?
Outra mulher.
Claro que vou pensar o pior, que fui enganada, passada para trás. E é por isso que vou embora, porque se eu ficar, sou uma idiota apaixonada que vai cair na dele de novo, e se deixar enganar mais uma vez.
Pelo menos esse era o plano que formei na minha cabeça assim que saí do quarto do Declan, mas nada saiu como o planejado. Ao vê-lo sujo de sangue, com o rosto coberto pelo capuz como quem esconde uma vergonha, e a “tal mulher” que leva o nome de Taylor contou o que aconteceu, eu desisti de partir. Queria ouvir o lado dele, saber o que aconteceu, resumindo; “Me deixar ser enganada mais uma vez”.
E ainda senti uma conexão com a garota, de tão estúpida que sou.
— Tem peças minhas aqui, vou pegar uma pra você. — Falei para ela que só me olhou e não respondeu.
— Você pode usar o banheiro de um dos quartos de hóspede. — Declan disse a ela, mas seus olhos ainda estavam em mim.
— Vou te mostrar onde é. — Falei e comecei a caminhar e ela caminhou ao meu lado em silêncio.
A levei no primeiro quarto do corredor, o apartamento tem vários desses e Diva sempre os mantém do mesmo jeito: roupas de cama sempre limpas, toalhas, produtos de higiene. Ela sempre responde a mesma coisa: “Nunca se sabe, menina Jen”. Se ela estivesse aqui agora, me diria um claro “eu disse”. Passamos pela porta ainda em silêncio, assim que entramos.
— No banheiro tem tudo que precisa, produtos, toalhas. Fica à vontade, irei até o quarto do Declan pegar uma peça de roupa minha. — Ela assentiu com um aceno, eu saí.
Não escolhi muito, peguei um vestido que imaginei servir. Ela era mais alta, e com certeza minhas calças não dariam certo. Voltei para o quarto, dei duas batidas na porta e entrei novamente.
Taylor estava parada no mesmo lugar, parecia nem mesmo ter se mexido.
— O que houve? — perguntei, colocando meu vestido em cima da cama.
— Não sei se estou me sentindo bem aqui, acho que só vou colocar a roupa limpa e ir embora.
— Devia ter pensado nisso antes de vir para cá com ele. — Falei, erguendo uma das sobrancelhas.
— Eu não ia vir, ele ia me dar uma carona. Mas acabou parando aqui, e na verdade eu não recusei. Nunca saí daquele inferno, achei que seria interessante conhecer algo novo.
— Não estou te julgando, só te dizendo que teve uma opção. E já que aceitou, agora aceite tudo que vem com ela. Um banho, roupas limpas… — a barriga dela roncou e ela ficou com vergonha virando o rosto no mesmo instante. — E um reforçado café da manhã. — Concluí.
— Obrigado. — ela murmurou de cabeça baixa.
— Vamos começar pelo banho, volto depois para te levar comer alguma coisa.
Ela concordou com um aceno, me virei e assim que alcancei a porta.
— Jen?! — ela me chamou e olhei para trás. — É esse o seu nome, né? Ouvi o cara lá falar.
— É Jenny, mas todos me chamam de Jen.
— Desculpe, Jenny. — ela se retratou, eu quis dizer tudo bem, mas as palavras morreram na boca. — Obrigado, nunca tive a simpatia ou a pena… — ela disse com ironia. — De ninguém, sei que foi isso que o estranho teve, e agora você.
— Estranho? — perguntei.
— Pois é, eu não soube o nome dele até ouvir vocês o chamarem. — dei um sorriso de canto, não era de alegria, era pela situação.
— Por nada, Taylor. Agora tome seu banho, não tenha pressa, eu volto depois.
Assim que fechei a porta encostei nela, deixei a lágrima teimosa escorrer, respirei fundo e voltei para a sala. Cheguei no momento em que eles conversavam e não quis atrapalhar.
Declan disse sobre a garota ter falado a verdade, sobre ter ido atrás do homem sabendo dos riscos. Discutiu com Atlas sobre o “prazer” que ele sente ao ver o maldito que acabou com a vida do senhor Reed, sofrer.
Até que ouvi: “Espero que ela me perdoe…”
— Antes de perdoar, nós vamos conversar. — Eu os interrompi.
Eles se falaram, se despediram e ficamos só nós dois. Fui até ele, parei em sua frente e ele tentou pegar a minha mão, mas não permiti.
— Não. Primeiro a gente conversa. Depois eu decido, Declan Reed, se nós continuamos juntos… ou não. — Falei firme, o coração estava destruído, mas por fora eu era uma rocha. Pelo menos estava tentando ser.
— Continuamos? Está passando na sua cabeça me deixar?
— Sim, não por falta de amor.
— Por falta de quê?

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