Capítulo 90 — Quem é o verdadeiro…
Noah Blake
Qual o significado de amor?
Essa era a pergunta que fazia a mim mesmo todos os dias. E isso desde a minha infância, uma vez com quinze anos fui à festa de um amigo do colégio, e ver ele com a família, a forma como o pai dele tratava sua mãe sem se importar que estávamos todos ali. Com carinho, atenção, sempre a tocando, se declarando. Nesse mesmo dia cheguei em casa e perguntei a Marisa: “O que será que é amor?”, eu tinha um sentimento forte pelo meu irmão, um cuidado, um carinho, uma vontade imensa de vê-lo bem, de fazê-lo feliz. Sentia o mesmo pela Marisa, mas nunca pelos meus pais.
Lembro dela me olhar com aqueles olhos tão negros que às vezes pareciam brilhar, e me responder com toda paciência do mundo:
— Amor é quando o coração reconhece um lar. Não importa o sangue, a história, nem mesmo o tempo… Quando você ama, você simplesmente sabe. Porque estar com aquela pessoa é estar em casa.
Na época, eu entendi que o sentimento que eu tinha por Norton, e por ela, era o mais puro amor. Só que então o destino os levou de mim.
Agora olhando para Juliet deitada no chão, comigo sobre ela, com os olhos cheios de dor, mas ainda assim me olhando com esperança, com confiança… Eu entendo.
Amor não é perfeição. Nunca foi. Não é sobre se encaixar em moldes ou encontrar alguém que nunca errou. É sobre olhar para o outro com tudo o que ele carrega, os traumas, as marcas, as feridas abertas, e ainda assim escolher ficar. Escolher cuidar. Escolher amar.
Eu amei Juliet desde o primeiro dia, mesmo que ainda não soubesse direito como amar. A amei pela forma como me enfrentou. Pela maneira como se entregou aos poucos. Pela força absurda que mora dentro dela… mesmo quando o mundo tentou quebrá-la.
Lembro quando a salvei no clube, Declan me questionou sobre eu não gostar das frágeis e minha resposta foi “os olhos dela mostram a força que tem”.
E agora, depois de ouvir tudo que ela passou, depois de ver o que ela suportou para proteger os filhos… meus filhos... ela só me provou o que eu já sabia. Que ela é a mulher mais forte que já conheci, e que meu amor por ela, é pra sempre.
A partir de hoje… Ela é meu lar. Eles são meu lar.
Heitor com aquele olhar atento e corajoso, que tentou proteger a mãe mesmo sendo só um menino. Laurinha, minha princesinha, com aquele coração doce e inteligente, que me escolheu para chamar de pai sem pedir nada em troca. Eles são meus. Eles me tornaram um homem melhor sem nem perceberem.
Eu que achei que nunca teria filhos... que nunca teria uma família... depois deles, me vi querendo exatamente isso. Não apenas querendo, precisando.
Quero acordar ao lado dessa mulher todos os dias. Quero ser o abrigo dela quando o passado bater à porta. Quero construir memórias com os meus filhos. Quero carregar o sobrenome Blake como uma promessa: de que tudo que veio antes, termina aqui. E daqui pra frente, o que vem é amor. Segurança. Paz.
A definição de amor que eu busquei a vida inteira?
Ela está bem aqui. Deitada sobre mim. Com cicatrizes, mas viva. Com medo, mas entregue. Com coragem, mas exausta. E ainda assim… me olhando como se eu fosse o abrigo dela.
E sou.
— Obrigada… por me ouvir. Por me entender. Por não me julgar… Por não me afastar de você. — ela disse, ainda com lágrimas nos olhos.
Antes que ela dissesse mais alguma coisa, a única resposta que importava escapou dos meus lábios:
— Eu te amo.

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