Capítulo 89 — Abrigo
Juliet Pierce
Sei que Noah gosta e se preocupa com meus filhos que agora ele chama de dele, mas no fundo eu sabia que o que estava fervendo em sua cabeça eram as fotos.
— Sou todo ouvidos. — ele me disse sem desviar o olhar do meu.
— Quando Heitor saiu do hospital, voltei para casa e fingi que nada demais havia acontecido, George disse que deu os remédios para acalmá-lo que não sabia que faria mal a ele.
— Cretino. — Noah resmungou.
— Como combinamos, Angélica me ajudou com o advogado. Mas eu não queria envolvê-la demais, agradeci pela ajuda, e depois não falei mais com ela. Se George descobrisse que eu tinha uma amiga, faria de tudo para me tirar até isso.
— Você nunca mais falou com ela?
— Conversava como era de costume na porta da escola, coisa rápida. Mas na noite que vim embora, ela foi a primeira a saber, liguei, agradeci, desejei o melhor, depois sumi.
— Ela te ajudou com o advogado, e? — Noah perguntou.
— Era caro, os honorários, os documentos e a viagem de uma cidade para outra. Meu pai tinha me deixado um dinheiro, mas eram ações que precisava vender e demoraria. Mas pedi ao gerente para vender, eu esperaria, mas o advogado não.
Virei o rosto, não conseguia contar isso a ele olhando em seus olhos.
— Saí do banco me sentindo derrotada, achei que tinha tudo certo, que minha liberdade era certa. Mas sem dinheiro, nada ia acontecer. Um “amigo” do George que sempre que tinha a oportunidade dava em cima de mim, trombou comigo naquele dia.
Vi Noah fechar as mãos, sabia o que devia estar passando na cabeça dele. Pois se estivesse em seu lugar, passaria na minha também.
— Ele como sempre deu em cima de mim, falou sobre os casos do George, que eu era bonita demais para aguentar isso, que merecia mais… Mas eu recusei todas as suas investidas, até que meu celular tocou e eu fiz a burrada de atender na frente dele.
Deitei minha cabeça sobre meu joelho, fechei os olhos e deixei as lágrimas descerem mais um pouco. Achei que nunca mais choraria por isso…
— Quando acabei ele olhou pra mim e perguntou: “Quanto precisa”, tentei levantar e ir embora, mas ele me segurou e eu não podia chamar atenção. Respondi a ele de imediato, não me entrego por dinheiro e ele riu.
Noah se mexeu, ele estava ficando inquieto.
— Perguntei qual a graça, “eu não pago por sexo que consigo de graça” ele me rebateu. Tentei levantar novamente, e mais uma vez me impediu. “mas conheço quem paga, não pelo sexo”, foram essas palavras dele, que me fizeram ceder.
Voltei a encarar Noah, o rosto dele estava duro como pedra.
— Então foi isso, você fez as fotos por dinheiro.
— Sim. Depois de tudo que passei na mão do George aquilo foi pior, foi a coisa mais humilhante que já fiz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar