Capítulo 9 – E agora, como vai ser?
Juliet Pierce
Tudo apagou, e o mundo desabou em minha cabeça. Mas as lembranças do passado me atingiram e não pude controlar. Quando a porta se abriu, meu corpo agiu no automático, era como se meu cérebro estivesse programado para isso.
No instante em que ouvi a voz dele, e a forma como me chamou, meu corpo relaxou. Mas eu não podia abaixar a guarda. Por mais que tudo nele me atraísse, e no fundo eu estivesse louca para me perder nele.
Isso não podia acontecer.
Mas a forma como ele cuidava de mim, o carinho e a atenção, contrastava com sua postura e até mesmo com o que eu sabia que ele era: um Don.
Meus olhos tentavam, em vão, se acostumar à escuridão que dominava o escritório.
A presença dele era forte, quente e intensa.
Senti o toque do seu polegar roçando meus lábios com firmeza. Sua mão deslizou para o meu pescoço, lenta e determinada, traçando um caminho por minha pele que se arrepiava sob cada centímetro.
Quando seus dedos firmes envolveram minha nuca, não havia dor. Havia poder, desejo e uma onda de calor invadindo lugares em mim que nem ousava nomear.
— Senhor Noah… — o nome escapou dos meus lábios num gemido envergonhado, carregado de algo que me assustava mais do que qualquer ameaça... vontade!
Ele não respondeu. Apenas me puxou e me beijou.
Foi um beijo sem permissão. Sem anúncio.
Mas não era rude. Era exigente, como se ele soubesse exatamente o que queria… e fosse me ensinar a querer também.
Sua língua invadiu minha boca com um domínio absoluto, sem espaço para dúvidas. Tinha gosto de pecado. De comando. De algo que, se eu não tivesse medo, imploraria para provar de novo. Ele me deitou sobre a mesa e ficou por cima de mim, me impedindo de tentar qualquer movimento.
Meu corpo reagiu antes de mim. Minhas mãos se agarraram aos ombros dele, minhas pernas amoleceram mesmo eu estando deitada. E por um instante, só um, deixei a mulher quebrada que eu era ser apenas… mulher.
Mas então…
Seus dedos deslizaram para o meu quadril e apertaram. Forte demais.
Não o suficiente para machucar, mas o suficiente para ativar algo em mim que eu não conseguia controlar.
Meu coração disparou. Minha respiração falhou e minha mente… congelou.
O passado invadiu o presente com a sutileza de um soco, e tudo em mim gritou: Pare.
— Não… — sussurrei, rompendo o beijo e afastando meu rosto, ofegante.
Noah congelou.
E pela primeira vez… vi hesitação naquele homem que parecia feito de aço.
Ele se afastou, e me sentei, tateando a mesa até encontrar a máscara e colocá-la novamente. Ouvimos passos, e a luz de uma lanterna.
— Blake?! — Atlas chamou.
— Estamos aqui. — Foi a primeira vez que ele falou depois do que aconteceu.
Atlas entrou, apontou a lanterna para nós.
— Está tudo bem? — perguntou, olhando para o kit de primeiros socorros espalhados na mesa.
— Sim… — Minha voz saiu baixa demais. — Me machuquei, e o senhor Noah me ajudou com um curativo. — concluí.
Desci da mesa, olhei para Atlas.

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