Noah Blake
Eu não entro em relacionamentos amorosos. Na verdade, nem mesmo acredito em “amor”.
Gosto de mulheres para meu prazer, para satisfazer meus desejos, submissas, obedientes e temporárias. Ou seja, sem nenhum vínculo emocional, para que quando o contrato se encerrar, não haja ressentimentos.
Mas não sou um escroto, a verdade é que nenhum Don é. Muitas das vezes, somos mais atenciosos e cuidadosos do que muitos baunilhas em seus relacionamentos. E há o fato de gostarmos de exclusividade, e isso vale para os dois: Don e submissa.
Essa é uma coisa que “homens” lá fora não têm. Traem companheiras que juram “amar” sem nem mesmo se importar.
A noite chegou, e eu nunca estive tão ansioso para chegar ao clube como hoje. Faz tempo que não tenho uma submissa. E a imagem de Juliet não me deixou por um minuto sequer.
Quando Reed e eu chegamos, logo a avistei, mas ela não me viu. Fiquei sentado, a observando por todo o início da noite. Enquanto a amiga caminhava pelo salão como se estivesse em um parque de diversões, admirando e decidindo se ia em um brinquedo ou não.
Juliet, que manteve a máscara em seu rosto, me privando de ver toda a sua beleza, permanecia no bar. Só saía de lá para atender, mas logo retornava para o lado de Caio.
— Você já está parecendo um pervertido, de tanto que olha para a moça. — Reed disse, chamando minha atenção.
Dei um gole na minha bebida antes de responder.
— Pervertido não, caçador, avaliando sua presa.
Ele e Atlas riram.
— Bem, senhor caçador. Essa presa é escorregadia, espero que suas garras estejam firmes.
Um sorriso brincou em meus lábios.
— Elas sempre estão. — respondi e me levantei. Fui até ela, dei a volta para pegá-la de surpresa. Sabia que era a mim que ela estava procurando e, de propósito, eu tinha fugido de seus olhos por quase toda a noite.
— Procurando por alguém? — Perguntei bem próximo ao seu ouvido, e notei seu corpo reagir imediatamente.
Claro que ela não iria admitir e tentou me mostrar o quanto era profissional e que minha presença não a afetava. Mas ela falhou, eu vi, e ela sabia disso.
Caio a mandou para as suítes, e eu não gostei nada disso. Só de imaginar o que aconteceu com ela ontem, acontecendo novamente, me irritava. Mas ela insistiu, mesmo com o medo nos olhos e o pavor refletindo em seu corpo, fazendo suas mãos tremerem.
Só que dessa vez ela não demorou muito, e quando saiu de lá, com um sorriso nos lábios e conversando com a moça que se filiou recentemente. Senti um certo alívio. Não quis pressioná-la, Juliet precisava ser amaciada, e isso demanda tempo. Mas eu sou paciente.
Decidi deixá-la trabalhar e fui até o escritório com Reed.
— Desistiu de conquistar a baunilha?
— Claro que não, mas tem coisas que acontecem com o tempo. — respondi, sério.
— Precisamos encontrar um assistente para você. Aqueles documentos não irão se revisar sozinhos, e a viagem para a França já está agendada. — Reed disse, mudando de assunto.
— Eu sei, mas vamos deixar isso para segunda. Não quero trazer problemas da empresa para o clube.
Ele assentiu, e conversamos um pouco. Reed disse que ficou interessado na nova afiliada, mas que ela era malcriada e ele não queria problemas. A noite acabou e Atlas veio até o escritório.
— As meninas estão limpando o salão. Tem como serem mais perfeitas que isso?
— Tem, se rendendo a um de nós. — Reed disse, com um sorriso malicioso.
Ouvimos um barulho seguido de um apagão.
— Que porra é essa, Atlas? — perguntei, irritado.
— Não faço ideia, mas pelo barulho, estourou o quadro de energia.
Acendemos as lanternas dos celulares e seguimos para fora. Assim que passamos pela porta, Samantha apareceu.
— Onde está a Ju? — Ela perguntou, preocupada.
— Ela não estava com você? — Atlas perguntou.
— Não, fui ao banheiro e ela foi até o vestiário pegar nossas coisas.
Ela olhou para dentro e notou que ainda estava escuro.
— Droga, ainda está escuro lá dentro. E se ela estiver presa no vestiário? — Seu tom era urgente.

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