Capítulo 87 — Fui eu
Noah Blake
A cabeça ainda estava a milhão pela minha conversa com o Lawson, pelas fotos e pela ousadia do maldito do George. Mas mesmo assim tentei deixar tudo isso de lado e curtir um momento em “família” como a minha mulher queria.
Nunca tive isso, conversas e risos à mesa, coisas do tipo “Não coma tudo, vai deixar os outros sem.” ou “passa o bife por favor”. Na minha infância os almoços eram executados como uma reunião: Senta, coma, não derrube, posição, sem bagunça, não fale quando não for solicitado, e se não for… se mantenha em silêncio.
Em alguns momentos conforme fui crescendo, provei do "diferente" na casa dos Reed ou dos Wilson, mas nunca nada comparado a esse momento.
Senti a mão da Juliet na minha, chamando minha atenção.
— Amor, tá tudo bem? — forcei um sorriso.
— Sim, só estou acostumado ao silêncio na mesa.
— Ah, nos desculpe, senhor Blake, nos esquecemos que não estamos em casa. — Celeste logo se justificou.
— Está tudo bem, Celeste, eu disse que não estou acostumado. Mas não estão me incomodando. — tentei soar o mais natural possível em minha resposta.
— A vida dele era meio sem graça mesmo, dona Celeste. — Reed disse, fazendo alguns rirem, mas notei os olhos da Ju em mim. Ela não tinha se convencido da minha resposta, eu sabia.
A tarde foi agradável, hoje tem um campeonato de basquete amador, e Oliver ia participar. Juliet me disse que ele chegou a ter uma chance na faculdade, mas acabou perdendo. E essa é sua nova chance para conseguir, na verdade, pela idade... é praticamente a última.
Celeste, Lawson e Penélope iam assistir. Atlas não queria deixar Athena acompanhá-los, mas Declan logo se intrometeu e claro que nossa garota não cabia dentro dela quando ele convenceu o irmão a deixá-la ir.
Nossos pequenos quiseram ir também, eu não estava muito certo disso. Mas Lawson me garantiu que estaria atento, e Juliet confia nessa família que ela escolheu de olhos fechados.
Eles seguiram para o jogo, e ficamos nós seis. As meninas na sala, e nós três no escritório.
— E aí, vai nos contar sobre o dinheiro? — Declan perguntou ao Atlas enquanto tomava uma bebida.
— O maldito do irmão da minha mulher, um parasita que se envolveu em uma merda e quis arrastá-la junto. — ele respondeu.
— Queria falar com você sobre isso. — Chamei a atenção dele. — Um dos caras do Lawson comentou sobre isso com ele, mas ele me garantiu que o tal do “Snake”… — Declan me interrompeu.
— Com um nome desse já imagino o tipo.
— Pelo que Lawson me disse, o nome o precede. O cara não é de confiança. — eu concluí.
— Tá querendo me dizer alguma coisa, Blake? — Atlas me perguntou com desconfiança.
— Só que precisa ter cuidado, não sei qual foi seu acordo, a única coisa que sei é que pagou um milhão de dólares para ele. E isso, irmão, é muita coisa.
— Concordo com o Noah. — Declan começou. — Sabíamos que isso era assunto da Samantha e não seu, mas não aja por impulso, calcula os riscos, agir sem pensar nem combina com você.
— Eu não agi sem pensar, mas minha mulher é minha prioridade. — Atlas rebateu.
— E não discordamos disso, nem estamos o criticando. Mas cautela ao agir, é primordial. — eu disse.
— Vocês estão certos, por hora o problema foi resolvido. Mas meu próximo passo vai ser ter uma conversa com o tal do José.
— Se precisar, podemos ir com você. — Declan disse a ele colocando a mão no seu ombro.
— Vou aceitar, mas hoje ele já vai ter um terço do que merece. — Atlas nos disse com um sorriso sádico, e Declan e eu nos entreolhamos confusos.
— Não vou nem perguntar como. — Declan disse fazendo Atlas rir.
— É melhor mesmo, irmão. — ele respondeu.
— Mais uma coisa. — Chamei a atenção deles. — O apartamento da Juliet foi invadido, destruíram tudo.
— Que merda. — Declan xingou.
— Isso é o de menos. — falei.
— De menos? — Atlas perguntou confuso.
— Sabemos que foi o George, e o maldito deixou um envelope com fotos e ameaças diretas à minha mulher.
— Fotos? — A pergunta veio do Declan.
— Sim, fotos íntimas, de todas as formas. — falei, passando a mão no meu cabelo. — E ainda ameaçou apresentá-las ao juiz para tirar os filhos dela.
— Que cretino! — Declan disse.
— Ele é mais que isso, mas o que é dele está guardado. George Monroe vai se arrepender de mexer com a minha mulher e com os meus filhos. — A voz era carregada de fúria, mas o peso maior foi o das palavras. Assumir a Ju como minha mulher e as crianças como meus filhos, mesmo que já tenha dito isso algumas horas antes, falar assim, dessa maneira, para os meus melhores amigos… teve um gosto diferente.

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