Capítulo 86 — Tudo por você
Christopher Lawson
Fechei a porta do quarto atrás de nós e, por um segundo, o mundo lá fora se dissolveu no mosaico de olhos ardentes que Penélope me devolvia. A encrenca tinha esse jeito irritantemente desafiador, mas ali, naquele corredor estreito do quarto de hóspedes, a provocação deu lugar a algo mais cru: desejo, promessa, entrega.
Ela encostou as costas na porta e me olhou com um sorriso torto.
— Posso saber porque vou ser punida? — murmurou, tentando soar desinibida, mas a voz traía a excitação.
— Eu vou te punir por me testar — respondi baixo, aproximando meu rosto do dela. — E por me provocar no carro.
Segurei sua mão e puxei-a pelo corredor até o closet que o Noah me indicou. A luz ali era mais amena, a atmosfera íntima. Abri a porta e encontrei aquilo que precisava: tiras de couro, algemas acolchoadas, uma venda preta, um flogger de couro com tiras macias, alguns plugs de diferentes tamanhos, lubrificantes, e uma cinta fina para prender, tudo organizado, limpo, pensado. Noah foi prático e generoso ao disponibilizar aquilo. Eu agradeci mentalmente.
Penélope se aproximou, os dedos tremendo um pouco, tremor que era de antecipação, não de medo. Coloquei a mão em sua nuca, apertando com leve firmeza, e a beijei de modo que ela sentiu minha determinação.
— Antes de qualquer coisa — comecei, porque embora eu fosse dominador, também era responsável — eu preciso da sua palavra. Safe word. O que me diz?
Ela respirou fundo, pensou um segundo, e sorriu com malícia.
— Manjar — disse, com aquela consonância de quem escolhe uma palavra divertida justamente para não usá-la no calor do momento.
— Manjar. Entendido. — repeti, registrando. — E limites?
Ela pigarreou. Seus olhos buscaram os meus, e pude ver a sinceridade bruta ali.
— Sem coisas permanentes. Sem sangue. Sem humilhação que me degrade. Não quero fita que me corte. E… sem fotos. Nunca fotos. — enumerou.
— Sem fotos. Sem marcas permanentes. Sem violência real. Qualquer coisa que te incomode, diz “manjar”. Eu paro. Agora e sempre. — Minha voz ficou lenta, cada palavra medida. Dominância é controle e, acima disso, cuidado.
Para reforçar, depositei um beijo curto em sua testa. A confiança dela em mim me incendiou; queria retribuir com cada parte de mim.
Comecei a preparar. Primeiro, a venda com delicadeza. Pedi que se sentasse na beirada da cama. Ela obedeceu, tremendo, presa entre controle e desejo. Coloquei a venda cobrindo seus olhos com carinho, ajustei o nó para que ficasse confortável, e observei sua respiração se intensificar. O mundo dela reduziu-se ao som, ao toque, ao cheiro. Senti a responsabilidade aumentar como um peso doce.
Prendi as algemas acolchoadas daquelas que não machucam o pulso à cabeceira da cama, segurança é sexy.
— Agora deita de bruços. — eu disse firme, e ela obedeceu, a encrenca estava mais obediente do que eu esperava.
Assim que se ajeitou na cama, puxei seus braços para cima. Segurei seus pulsos, beijei cada dedo antes de colocá-los nas algemas, e a senti relaxar ao perceber que eu não machucaria. O simples gesto de prender dizia tanto quanto qualquer palavra: ali eu tomava o controle, mas ela estava consciente.
— Lembra: “manjar” — sussurrei perto do ouvido.
— Manjar — murmurou, quase como uma oração.
— Vou te colocar de quatro, envolvi as mãos na corrente das algemas para conseguir se sustentar.
Sem questionar ela fez exatamente como mandei. Tirei minha camiseta, e me ajoelhei na cama bem atrás dela. Desci meu nariz por sua coluna, o cheiro dela me invadindo. A venda intensificava tudo: o som do meu respirar, o atrito do tecido da saia contra minhas mãos. Deslizei os dedos pela lateral das coxas dela, provocando, desenhando círculos invisíveis. A pele dela arrepiou.
Peguei alguns plugs, um pequeno, um médio, e um que sabia que a faria apoiar a respiração. Estendi o pequeno, passei lubrificante com a ponta dos dedos e beijei a pele entre as coxas.
— Confia em mim? — perguntei, sem pressa.
— Confio — respondeu, ela mesma se traindo um pouco com a voz mais trêmula. Inseri o plug pequeno devagar, cada centímetro uma promessa de cuidado.
— Aaaaah. — Ela gemeu, som baixo que se transformou em calor no ar. Aguentei o impulso de continuar e esperei: observei a expressão dela, a respiração, a contração dos músculos; cada sinal dizia se eu podia avançar. Quando percebi o nada de queixume, apenas encontro de prazer, avancei para o plug médio. A sensualidade do processo era uma coreografia íntima.
Com o plug assentado, fiz carinho no clitóris por fora, apenas para lembrar que a dor não era a estrela, era a textura. Penélope tentou arquear o corpo, mas a posição não a favorecia, mas mesmo assim as pernas dela se contraíam, era o sinal que ela me mandava, que ela queria mais. Sorri por dentro, minha encrenca adorava ser levada ao limite.
Peguei o flogger. Mostrei à venda, e passei por seu rosto, para que, ainda vendada, ela soubesse o que vinha. Não precisava falar. O som da minha respiração foi o único aviso quando levantei o braço e deixei uma marca de fogo sobre sua bunda, não forte, só o suficiente para que o choque elétrico percorresse sua espinha. A reação dela foi, uma respiração mais curta, suspiros presos, mãos tremendo, corpo se curvando. O segundo golpe foi mais firme. O couro batia com um som seco; a pele devolvia um rubor quente.

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