Capítulo 78 – Surra
Atlas Wilson
Peguei Samantha de surpresa conversando com Eduardo, e o que ouvi causou uma reação que surpreendeu até a mim mesmo.
— Que história é essa? — perguntei, parando ao lado da cama.
— Edu, nos falamos mais tarde. — ela disse, encerrando a ligação.
— Preciso de um novo emprego.
— Achei que já tínhamos conversado sobre isso.
— E conversamos, mas surgiu algo, e só o dinheiro da Paradise não resolve.
— E esse “algo” se chama José? — perguntei, irritado.
— Não começa, Atlas, ele é meu irmão. — Samantha disse se levantando. — Ele precisa de ajuda, e não vou abandoná-lo. — ela pegou o vestido dela de volta, e começou a tirar a minha camiseta.
— Se não ele morre. — afirmei, não foi uma pergunta. Eu falei exatamente o que ela me disse minutos atrás.
— Na ligação, o homem disse que meu irmão deve para ele. Me deu três dias, preciso trabalhar muito, eu não tenho esse dinheiro.
Ela terminou de se trocar, foi até a bolsa e jogou o celular dentro.
— Quanto? — perguntei.
— Muito. — ela me respondeu somente isso.
— Eu preciso ir, tá? Eduardo vai conseguir umas coisas para mim, prometo que vou estar no clube à noite. — ela parou na minha frente e me deu um beijo rápido. — Te amo.
Eu não respondi, cruzei os braços e a encarei.
— Perguntei quanto? — falei em um tom ríspido, um que não gosto de usar com ninguém. E muito menos com ela.
— Atlas… — ela começou, mas nem a deixei terminar.
— Samantha, vai me falar ou me obrigar a descobrir? Porque te garanto que tenho meus meios.
Ela me olhou nervosa, piscou repetidas vezes tentando controlar as lágrimas mas foi inútil.
— É muito, eu sei que mesmo trabalhando como uma louca nesses três dias eu não junto essa grana, mas preciso tentar.
— Muito. É muito. Não são essas as respostas que quero. São valores, números. — eu disse.
Ela ficou pálida, Samantha mal melhorou do desmaio que teve e já estava correndo por causa desse "irmão".
— Um milhão. — ela murmurou, e eu ceguei ao ouvir sua resposta.
— O seu irmão, te jogou uma dívida de um milhão? E ele acha que vai conseguir como esse valor, ainda mais em três dias? — perguntei, furioso.
— Ele não me jogou, Atlas, aconteceu.
— Aconteceu, Samantha? — eu ri, mas não havia humor. — Será que não enxerga o que está acontecendo aqui?
— O que quer dizer?
— Seu irmão é um parasita manipulador.
— Não fala assim, José tem seus problemas, mas ele não é uma pessoa má.
— Não? — perguntei, incrédulo. — Um cara que abusa da boa vontade da irmã, e ainda por cima a coloca em meio a uma confusão de um milhão de dólares, não é mau? — ela recuou um passo, mas eu não. — Você está certa, ele não é uma pessoa ruim. É um safado, cretino, maldito e manipulador.
— Atlas! — ela chamou minha atenção e nesse instante o celular dela tocou.
— Edu. — ela disse ao atender, eu passei a mão pelo meu cabelo tentando me acalmar mas era inútil. Eu sou o cara mais controlado, tranquilo que existe. Mas esse José conseguiu algo inédito, precisava dar os parabéns a ele por isso.

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